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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cartomancia

Pouca gente sabe que o baralho comum utilizado para jogos como canastra,
bridge, buraco, truco e tantos outros, presta-se também à prática
divinatória, conhecida como cartomancia. Suas 52 cartas trazem indicações claras
sobre os vários setores de nossas vidas, como o amor, as finanças, a profissão e
a saúde. A origem da cartomancia é incerta. Só há um consenso entre os
estudiosos do assunto: as civilizações mais antigas da humanidade já usavam as
cartas e seus equivalentes da época tanto como diversão lúdica quanto para
vislumbrar o passado, o presente e o futuro dos consulentes. Indícios de cartas
são encontrados no Egito, no Extremo Oriente e na Índia, mas a maioria dos
pesquisadores considera mais plausível que as cartas que conhecemos tenham se
originado no Egito. As mais antigas pistas da existência de baralhos de cartas
na Europa remontam ao século XI, mas só 200 anos depois elas começaram a ser
citadas de maneira mais consistente.
Por volta do século XVI, toda a Europa conhecia o real valor das previsões da
Cartomancia. A princípio elas se disseminaram entre a nobreza e o clero, para só
posteriormente atingir as classes mais baixas. Naquela época a maioria dos
relatos que se referiam às cartas era para proibir seu uso. Neste método, o
valor numérico das cartas tem bastante ascendência sobre o resultado,
diferenciando-se do Tarô que se utiliza de imagens para sua compreensão e
associação.Um baralho comum é composto de 52 cartas - 40 referentes a
números de um (ás) até dez e 12 referentes a figuras (rei, dama e valete). Elas
estão divididas em quatro naipes - ouros, paus, copas e espadas, cada um com 13
cartas. Tais números permitem associações simbólicas dos mais variados
tipos.As 52 cartas são relacionadas às 52 semanas do ano, e os quatro
naipes, às quatro estações: Ouros:
PrimaveraPaus: VerãoCopas: OutonoEspadas: Inverno
Alguns estudiosos do tema consideram que os quatro naipes também podem
ser associados aos períodos de um dia ou de uma vida,
sendo atribuída a cada um deles a regência de ¼ dessas extensões do tempo. O ás
de cada naipe rege a primeira semana da estação do ano a ela relacionada. O rei
tem a segunda semana sob sua influência, seguida pela dama, que rege a terceira.
As regências se sucedem na ordem decrescente, até o dois, que domina a última
semana da estação.
Elementos - Os naipes representam os quatro elementos da natureza e os
signos zodiacais a eles relacionados. Ouros, por exemplo, estão ligados ao ar
(signos de Gêmeos, Libra e Aquário); Paus, ao fogo (Áries, Leão e Sagitário);
Copas, à água (Câncer, Escorpião e Peixes); Espadas, a terra (Touro, Virgem e
Capricórnio). Também estão associados à classificação estabelecida por filósofos
a Antiguidade quanto à natureza humana: colérico, sanguíneo, fleumático e
melancólico (hoje em dia, respectivamente, inteligência, intuição, compaixão e depressão).
Dualidade - cartas vermelhas e pretas - As cartas vermelhas são
geralmente associadas às características femininas, passivas, yin; as pretas relacionam-se, em geral, às
características, masculinas, ativas, yang.
A preparação para a leitura
A consulta a qualquer oráculo requer alguns cuidados especiais. Toda leitura
deve se realizar em ambiente tranqüilo, reconfortante e que transmita ao
consulente a mais absoluta confiança. É aconselhado o uso de incenso para
"limpar" o ambiente. Quando se faz uso de um oráculo, o que buscamos são meios
de estabelecer contato com nossa porção inconsciente, que na verdade possui as
respostas a todas as nossas dúvidas.
A escolha do baralho
Todos os estudiosos são unânimes em afirmar que o baralho utilizado na
cartomancia deve ser empregado exclusivamente com essa finalidade. Convém que
seja um jogo novo e que também seja manuseado apenas pelo cartomante e por seus
consulentes; não deve ser emprestado, pois, assim como deixamos nas cartas
nossas impressões digitais, também as deixamos marcadas com nossas "impressões
psíquicas". O baralho usado com fins divinatórios deve ser guardado num lugar
fixo, preferencialmente uma gaveta ou prateleira escura, envolvido num pano
ritual (que serve de toalha para as leituras) ou numa bolsa de pano cosida à
mão. Esses "campos magnéticos" mantêm a sabedoria das cartas revelada a cada
leitura. Alguns estudiosos recomendam a confecção de uma caixa de madeira com a
finalidade exclusiva de servir de estojo ao baralho divinatório. Antes de usar
um baralho pela primeira vez, convém que o consultor embaralhe-o e corte-o por
diversas vezes para "despertá-lo". Quanto mais intimidade houver entre o
cartomante e as cartas, melhor estas responderão a suas perguntas. Todas as
vezes que empreender uma leitura, o consultor deverá embaralhar as cartas para
dissipar qualquer influência energética da leitura anterior.
Escolha das Cartas
O baralho é sempre oferecido para o consulente, que embaralha as cartas
novamente, coloca-as no centro da mesa e corta-as três vezes, preferencialmente
com a mão esquerda (alguns estudiosos fazem essa recomendação porque a mão
esquerda estaria ligada ao hemisfério direito do cérebro, mais intuitivo, além
de ser o lado esquerdo considerado o lado "do coração"). O consultor recolhe-as
num único maço e as dispõe em leque, com as figuras voltadas para baixo. O
consulente vai retirando as cartas que escolhe e colocando-as uma sobre a outra,
com os desenhos voltados para baixo, em número suficiente para responder às suas
questões. Em seguida, entrega ao cartomante as restantes, que são postas de lado
e, por fim, o maço com as cartas escolhidas (pode-se também usar o baralho
todo). O cartomante procede então à leitura, puxando as cartas estritamente pela
ordem que foram escolhidas pelo consulente, ou seja, a última carta do maço (com
a face voltada para baixo) e suas subseqüentes responderão à primeira pergunta
depois a segunda e assim por diante (para cada questão será usado um determinado
número de cartas, de acordo com o método de leitura escolhido pelo
cartomante).