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segunda-feira, 30 de julho de 2012

A SACRALIDADE DA DANÇA ORIENTAL:


A Sacralidade da Dança Oriental






A dança como expressão e contacto com o Sagrado esteve presente também entre os primeiros judeus e há alguns relatos bíblicos sobre essa arte esotérica:

“Quando Moisés, liderando o povo eleito, sai do Egipto e atravessa o Mar Vermelho, ele e sua irmã Miriam dançam para agradecer ao Senhor Jeová”.

Vemos também o rei David cantando e dançando quando a Arca da Aliança chega a Jerusalém.

Em obras apócrifas vemos outras expressões da Dança Sagrada Circular, como no Livro Apócrifo de João, muito comum ainda pelos cristãos ortodoxos sírios e iraquianos, onde se lê que Jesus ordenava a seus 12 Apóstolos que se posicionassem em círculo, ao seu redor e de mãos dadas, e depois começassem a dançar e a rodopiar (à moda dos dervixes), enquanto Ele, Jesus, entoava doces cânticos em louvor ao Altíssimo.

Existem muitas outras histórias mitológicas a respeito da dança... Réa salvou seu filho Zeus de ser morto por Cronos – o pai da criança – sapateando para abafar o choro da criança.

Na ilha de Creta era possível materializar a Deusa Mãe fazendo-se uma dança circular que levava ao Êxtase.

Ainda na Grécia antiga, a viagem de Teseu pelo labirinto do Minotauro era celebrada com uma dança em que os jovens (rapazes e raparigas) ficavam em fila, de mãos dadas, e imitavam os movimentos de Teseu pelo labirinto da mente por meio da meditação.

As touradas e os jogos de bola são formas degeneradas de antigas danças ritualistas: o culto ao Pai-Mãe internos e à criação do Universo.

Todo o benefício de dançar é resumido no calor do corpo e na sublimação da energia sexual.

Esta é sublimada não apenas com exercícios respiratórios, mas também com exercícios físicos moderados e o desenvolvimento do sentido estét ico.

Tudo isso existe em muitos tipos de danças que, mesmo afastadas das suas origens primordiais, chegaram aos nossos dias, como é o caso da dança do ventre, flamenga, dança clássica, ballet, e danças regionais, como as escocesas e irlandesas (influenciadas pelos sábios templários fugidos das perseguições católicas).

Esse carácter sexual da dança é óbvio também nos cultos dionisíacos...

Usando grinaldas de folhas de rinha e cobertas por peles de bode, as mulheres dançavam freneticamente até chegarem ao Êxtase.

Durante o cortejo (isso na sua fase decadente, é óbvio), comiam carne crua e dilaceravam animais vivos para incorporarem a força divina. O clímax era o sacrifício de um bode.

Quando esse ritual ainda não estava degenerado, tais animais eram a representação simbólica da eliminação dos nossos defeitos animalescos; comia-se então a carne, ou seja, a consciência era liberada a partir do fogo sexual, e o bode sacrif icado era a supressão do desejo animal através da não ejaculação do sémen, método pelo qual o fogo se transforma em luz e o alquimista transforma o "enxofre arsenicado" em fogo puro.

Os movimentos dançantes fazem parte da rotina das mais variadas espécies de animais quando se aproxima a época do acasalamento. Talvez por isso, a dança seja, eminentemente, sexual.

As actividades humanas estão imbuídas da troca de energia sexual. Historicamente é dito que nos ritos de fertilidade surgiram as primeiras manifestações da dança.

Isso está claramente ligado às práticas tântricas realizadas nos antigos Templos de Mistérios.

Essas manifestações primordiais da Arte dos Movimentos Sagrados tinham como tema os grandes tesouros da sabedoria oculta: o dilúvio que afundou o continente atlante (presente em quase todos os mitos sobre a Criação e Manutenção do mundo); o trabalho como forma de punição aos homens, que depois da queda da Lemúria foi condenado a ganhar o próprio sustento; vida, morte e ressurreição; a descida ao inferno para salvar o irmão, o amante ou o filho...

Tudo isso eram os temas das d anças sagradas dos primeiros arianos.

A Dança do Ventre é uma dessas antigas danças, ou o que sobrou delas...

Há uma identidade comum nas danças de alguns povos da África e Ásia; a forma de Dança Oriental que surge actualmente está desprovida da sua profundidade sagrada, estando mais associada aos movimentos sexuais e às dores do parto.

Nessas antigas formas de dança estavam também presentes as Máscaras, usadas como forma de protecção e roupagem cerimonial nas invocações teúrgicas.

No Egipto iniciático, a Dança tinha carácter sagrado.

A sua invenção era atribuída a Bes (conhecido nos rituais gnósticos como Bes-Na), um poderoso Deva da Natureza que usava pele de leopardo e protegia contra a feitiçaria, além de facilitar o parto.

A patrona da dança era Hathor, a Vaca Sagrada, símbolo da Mãe Divina.

Os Mistérios de Osíris, o Cristo egípcio, eram cantados e dançados no Templo.

Os personagens usavam máscaras e executavam gestos estipulados, sempre acompanhados por cantos e danças.