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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

EVIDÊNCIAS:

Evidências

Evidências


Há evidências irrefutáveis que concernem ao povo rom, que são a chave para descobrir sua verdadeira orígem e permitem elaborar uma trajetória histórica factível. Aqui apresento algumas delas.
Credo
As crenças ciganas mostram as seguintes características:
·Estrito monoteísmo, sem o mínimo indício de algum passado politeísta ou panteísta.
·O caráter muito pessoal de Deus, Que é acessível e com Quem é possível dialogar e inclusive discutir (concepção hebraica) - não é inacessível como Alá nem tampouco relativamente acessível como no cristianismo, que necessita de um Mediador para ter um contato pessoal com Ele.
·A existência de um mundo espiritual que consiste em espíritos puros e impuros (concepção hebraica), que representam o bem e o mal e lutam constantemente - este conceito é originalmente hebraico, porém com uma marcada influência zoroástrica que é o resultado natural do exílio assírio/babilônico/persa e que se desenvolveu da mesma forma que o judaísmo cabalístico, mostrando uma evolução contemporânea da espiritualidade cigana e do judaísmo místico, no mesmo ambiente geográfico.

·A crença na morte como uma passagem definitiva ao mundo espiritual (conceito hebreu). Não se encontra o menor indício da idéia da reencarnação.
·A pessoa falecida é impura durante sua viagem ao reino das almas (conceito hebreu), e todas as coisas relacionadas com sua morte são impuras, como também o são seus parentes durante o período do luto (conceito hebreu). Maiores detalhes no tema seguinte, "marimé".
·O destino final do cigano depois da morte é o Paraíso, enquanto que os gadjôs podem ser redimidos e ascender ao Paraíso se foram bons com os ciganos - uma idéia similar ao conceito judeu de "justo entre os gentis".
Estes parâmetros de fé vão mais além da religião "oficial" que os ciganos possam professar. Geralmente há elementos adicionais que pertencem à coinfissão adotada, os quais expressam de modo pitoresco e observam com grande respeito, como por exemplo a "pomana", uma prática ortodoxa, e outras cerimônias. Também há particulares complementares de natureza supersticiosa, todos os quais tem sua orígem no culto do fogo da antiga Pérsia. Alguns são válidos no interior da sociedade cigana, como por exemplo ter sempre o fogo aceso em casa, dia e noite, inverno e verão (uma tradição que mantem as famílias mais conservadoras, enquanto que em geral está evoluindo para o uso de um fogo "simbólico" como a televisão, sempre acesa mesmo que não a esteja vendo ninguém). Outros costumes se praticam só externamente, como a adivinhação, leitura das mãos, tarot, etc., em cujos poderes particulares os ciganos não crêem porém os usam como meio de ganho no mundo dos gadjôs. Isto foi aprendido dos magos e alquimistas da Pérsia.
Há fundados motivos para pensar que os rom eram já cristãos desde o primeiro século d. c., quer dizer, antes que chegassem à India ou durante o primeiro período de sua estadia nessa região, e é a razão pela qual não adotaram nenhum elemento hinduista em suas crenças. Resulta que os rom eram bem informados sobre o cristianismo quando chegaram à Europa, apesar de não haver tido a possibilidade de ler a Bíblia. Há algo misterioso na espiritualidade cigana que nas últimas décadas os levou a uma aproximação genuína aos movimentos evangélicos (a forma do cristianismo mais próxima do judaísmo, sem santos nem culto de imagens) e neste período muitos ciganos estão dando um passo sucessivo para o judaísmo messiânico. Não existe nenhum outro povo no mundo que tenha experimentado um tal número de conversões, quase em massa, em tão pouco tempo. O fato interessante é que este fenômeno não é resultado de obra missionária mas que se manifestou de modo expontâneo e autônomo (efetivamente, os gadjôs dificilmente se atreveriam a evangelizar os "ciganos", devotos das artes ocultas e da magia, segundo os comuns preconceitos). Contra toda probabilidade lógica, ciganos de distintos países e quase contemporâneamente, sem conhecer-se nem comunicar-se entre si, começaram a ler a Bíblia e formar suas próprias comunidades evangélicas. Agora existe a atividade missionária, porém é desenvolvida pelos ciganos mesmos e dirigida ao próprio povo. Isto se explica só considerando que existe uma herança atávica que é um fator especial da espiritualidade romaní. A maioria dos rom agora está abandonando práticas ancestrais originadas no culto do fogo e outras práticas proibidas pela Torá, como a pomana, a adivinhação e outras coisas.
Uma conjectura factível (ressalto: uma conjectura) pode ser que a primeira aproximação ao cristianismo tenha que ver com os bíblicos "magos do oriente" que foram adorar ao infante Yeshua de Nazaré; evidentemente não eram simplesmente adoradores do fogo persas, mas pessoas que esperavam na promessa messiânica de Israel. Portanto, israelitas do antigo Reino de Samaria que nesse tempo estavam já completamente imersos no culto zoroástrico, porém esperando a redenção do próprio povo. Documentos históricos assinalam que no século I d. c. houve conversões em massa na Assíria, onde os apóstolos foram enviados a buscar as "ovelhas perdidas da Casa de Israel", e muitos habitavam precisamente nessa região. Outros apóstolos chegaram à India. Um fato curioso é que os israelitas recentemente descobertos na India são cristãos, não hindus ou de outra religião. A completa ausência de elementos hindus na espiritualidade romaní deve ter um significado.
As leis rituais, "marimé"
O conceito cigano de "marimê" equivale à forma negativa do conceito judeu de "kosher"; o primeiro indica impureza ritual, o segundo se refere à pureza ritual. A parte esta diferença de ponto de vista, a essência é a mesma (é como dizer se o copo está metade cheio ou metade vazio). O que para os rom é marimê, não é kosher para um judeu, portanto ambos tomaram as medidas necessárias para não serem contaminados, ou se se referem à uma contaminação inevitável ou indispensável, ambos seguirão certas regras para purificar-se. Da mesma maneira que é a kashrut no judaísmo, as leis que regulam o marimê são um valor fundamental na sociedade romaní e determinam os limites do ambiente social e espiritual, e condicionam suas relações com o mundo exterior (a sociedade dos gadjôs). Os Rom classificam todas as coisas em duas categorias: "vuzhô" (=kosher, puro) ou "marimê" (impuro). Esta classificação concerne primeiramente ao corpo humano, porém se extende ao mundo espiritual, à casa ou acampamento, animais e coisas.
·O corpo humano: as regras que regem as partes do corpo que devem ser consideradas impuras são exatamente as mesmas que encontramos na Torá (Lei de Moisés), em Levítico cap. 15. Em primeiro lugar, os órgãos genitais, porque transmitem fluxos do interior do corpo, e a parte inferior do corpo, porque está abaixo dos genitais. A parte superior externa do corpo é pura, a boca em primeiro lugar. As mãos tem um caráter transitivo porque devem exercitar atos puros e impuros alternativamente, pelo qual devem ser lavadas de um modo particular, por exemplo se alguém deve comer depois de ter posto os sapatos ou levantado da cama (que é impura porque está em contato com o corpo inferior). Quando as mãos foram contaminadas, devem lavar-se com um sabão separado e secar-se com uma toalha separada para tal fim. Distintos sabões e toalhas se devem usar sempre para as partes superior e inferior do corpo, e não podem ser intercambiados.
·Roupas: devem-se distinguir para serem lavadas separadamente, em diferentes recipientes destinados para cada categoria. As vestes impuras se devem lavar sempre no recipiente marimê, e os vestidos puros por sua vez se separam das toalhas e guardanapos, pois vão à mesa e tem seu próprio recipiente. As vestes do corpo superior e das crianças se lavam no recipiente vuzhô, os do corpo inferior no recipiente marimê. Todos as vestes da mulher são impuras no período das menstruações e se lavam com os artigos marimê. O único povo que aplica estas regras para lavar fora os ciganos são os judeus
.
·O acampamento: antes da recente urbanização forçada, o lar romaní era o campo, muito mais que a casa. O campo goza da categoria de pureza territorial, pelo qual as necessidades fisiológicas se devem fazer fora do mesmo e das proximidades (ou eventualmente, os serviços higiênicos se constroem fora do campo); este é um preceito judaico (Deuteronômio 23:12). O lixo também deve ser posto a uma distância aceitável do campo.
·Nascimento: o nascimento de uma criança é um evento impuro e deve ocorrer, quando possível, em uma tenda isolada próxima, fora do campo. Depois do nascimento, a mãe é considerada impura por quarenta dias e sobretudo na primeira semana: esta regra é exclusivamente mosaica, estabelecida na Torá - Levítico 12:2-4 -. Durante esse período, a mulher não pode ter contato com coisas puras ou realizar atividades como cozinhar ou apresentar-se em público, especialmente na presença dos anciães, e não pode assistir a serviços religiosos. São destinados pratos, xícaras e utensílios exclusivamente para ela, os quais se descartam passado o período de purificação, assim mesmo os vestidos e a cama que usou se queimam, e também a tenda onde ela habitou durante esses 40 dias. Esta lei é completamente desconhecida para todos os povos, exceto ciganos e judeus.
·
Morte: como prescreve a Lei judaica, a morte de uma pessoa comporta impureza ritual para todos os familiares e todas as coisas que tenham sido involucradas nesse momento. Toda a comida que havia na casa do falecido deve ser jogada, e a família é impura por três dias. Devem-se observar regras particulares durante esses três dias, como lavar-se só com água para não fazer espuma, não pentear-se nem enfeitar-se, nem varrer, nem fazer furos, nem escrever ou pintar, nem tirar fotografias, e muitas outras coisas. Os espelhos devem ser cobertos. O acampamento onde ocorreu a morte é abandonado e transladado a outro lugar, ou se vende a casa aos gadjôs. A alma do defunto se crê que vaga por três dias para purificar-se antes de chegar a sua habitação final: isto não está escrito nas Escrituras Hebréias, porém é uma idéia comum entre algumas correntes místicas do judaísmo. O conceito que estabelece que o contato com o corpo morto implica impureza não se encontra em nenhuma tradição se não só na Bíblia (Levítico 21:1). Assim como está prescrito na Lei Judaica, também entre os rom é obrigatório que o corpo seja sepultado e não pode ser queimado.
·Coisas: podem ser marimê por natureza ou por uso, ou ser contaminadas por circunstâncias acidentais. Qualquer coisa que entre em contato com a parte inferior do corpo é impura, como sapatos, meias, etc., enquanto que as mesas são puras. As regras que concernem estas leis são descritas em Levítico 15 e outras Escrituras Hebraicas.
·Animais: os ciganos consideram que os animais podem ser puros ou impuros, ainda que os parâmetros em base aos quais são classificados diferem dos hebraicos. Por exemplo, cachorros e gatos são marimê porque lambem a si mesmos, cavalos, asnos e todo animal de monta é impuro porque a pessoa se senta sobre eles, etc. Os animais impuros não se devem comer.
·Espíritos: os espíritos maléficos são marimê, o que é um conceito judaico.
Leis matrimoniais
O noivado e as bodas ciganas se celebram da mesma maneira que se fazia no antigo Israel. Os pais de ambos os esposos tem um papel essencial quanto a definir o dote da noiva, e as bodas se devem realizar dentro da comunidade rom, sem participação das instituições dos gadjôs. No caso em que a mulher foge com seu homem sem o acordo dos pais, o casal é automaticamente reconhecido como casado, porém a família do noivo deve pagar um ressarcimento aos pais da noiva, normalmente equivalente ao dobro do dote; tal compensação se chama "kepara", uma palavra que tem o mesmo significado do termo hebreu "kfar" (Deuteronômio 22:28-29). O pagamento do dote por parte da família do noivo aos pais da noiva é um regulamento bíblico, exatamente o contrário dos povos da India, nos quais é a família da noiva que deve pagar à do noivo.
Há um preceito particular que deve ser observado para consolidar o matrimônio, o "pano da virgindade", que deve ser mostrado à comunidade depois da primeira relação sexual - este preceito está escrito na Torá, Deuteronômio 22:15-17. Logo, no caso de casais que fogem tal prática carece de sentido e portanto não é observada.
Comportamento social
Assim como os judeus, os ciganos assumem distintos parâmetros de comportamento para as relações com sua própria gente e para a interação com os estranhos, de modo tal que se pode afirmar que a oposição rom/gadjôs e judeus/goyim são reguladas de maneira muito similar, quiçá idêntica em quase todos os detalhes. Uma vez que os gadjôs não conhecem as leis que concernem ao marimê, são suspeitos de ser impuros ou se supõe que o sejam; alguns rom nem sequer entram em casas de gadjôs - o mesmo costume existia no antigo Israel, e ainda é praticado pelos judeus ortodoxos. Os gadjôs que se fazem amigos dos ciganos são admitidos quando conhecem as regras e as respeitam de modo que não ofendam à comunidade, depois de ter superado algumas "provas" de confiabilidade. Por outro lado, as instituições dos gadjôs se usam como "zona franca", onde se podem realizar atividades impuras com segurança - um exemplo típico é o hospital, que permite evitar de montar uma tenda especial para o parto.
Cortesia, respeito e hospitalidade são obrigatórios entre os ciganos. Quando se cumprimentam cada um deve perguntar pela família do outro, desejando bem e bençãos para todos os membros, ainda que seja a primeira vez que se encontrem e na realidade não se conheçam as respectivas famílias. A própria apresentação inclui os nomes dos pais, avós e todas as gerações que se recordem - o nome e sobrenome civis não tem importância; os ciganos se chamam como no antigo Israel, A filho de B, filho de C, da família D. Isto é comum a vários povos do Oriente Médio, porém o modo como o fazem os ciganos é particularmente bíblico.
As causas judiciais entre os rom se apresentam à assembléia de anciães, exatamente como na Lei Mosaica. A assembléia de anciães se chama "kris", e é uma verdadeira Corte de Justiça, cujas sentenças devem ser obedecidas, do contrário a parte inobservante pode ser excluída da comunidade romaní. Os casos geralmente não são tão sérios para não poderem ser resolvidos com o pagamento de uma multa ou ressarcimento, como está regulado na Torá (Êxodo 21:22, 22:9; Deuteronômio 22:16-19).
Há muitos outros aspectos que podem ser de importância secundária, que mesmo assim recordam os antigos costumes e regras israelitas. Lamentavelmente, tais detalhes se vão perdendo com as novas gerações (como muitos se perderam entre os judeus também) por causa do sistema da sociedade moderna que restringe a liberdade de indivíduos e comunidades "exóticas". Porém, os sentimentos e tendências ciganas devem ser levados sériamente em conta, porque correspondem à uma herança psicológica ancestral que se transmitiu de geração em geração, de maneira subconsciente porém reclamando as próprias orígens. Por exemplo, os ciganos não sentem absolutamente nenhuma atração pela cultura ou a música da India (e mais, as mulheres ciganas tem um timbre de voz baixo, em contraste com as cantoras indianas, um detalhe que pode ser insignificante, porém quiçá não), enquanto que os ciganos gostam muito da música do Oriente Médio. Na Europa oriental, a maioria das expressões musicais são ou judias ou ciganas, e muitas vezes a mesma obra é atribuida ou a uma ou a outra destas duas tradições. As bandas de "klezmorim" tem sido muitas vezes compostas por rom junto com judeus, e o jazz de estilo europeu foi cultivado por ciganos e judeus. O flamenco é provavelmente de orígem sefaradita, praticado pelos judeus antes de serem expulsos da Espanha, e logo herdado e desenvolvido pelos ciganos. Em outros aspectos, os rom tem uma grande habilidade comercial (e se é necessário trabalhar em sociedade, os judeus são os preferidos) e aqueles que escolhem inserir-se profissionalmente na sociedade dos "gadjôs", preferem as mesmas carreiras que escolhem os judeus (provavelmente por motivos relacionados com as leis de pureza ritual, que não permitem que se exercite qualquer tipo de trabalho). Enfim, ainda que não menos importante, os ciganos fazem uma distinção entre os "gadjôs" comuns e os judeus, que não são considerados completamente gadjôs, mas como uma categoria intermediária que observa as leis de pureza ritual e portanto não estão sujeitos a suspeitas.
Conclusão:
Este breve estudo tem como objetivo estabelecer as bases para uma nova, diligente e séria investigação sobre a orígem do povo rom e sintos, que seja fundamentada em aspectos culturais e espirituais em lugar de seguir sustentando uma linha exclusivamente linguística que leva a uma posição equivocada. As evidências apresentadas não excluem categoricamente que os rom possam ter habitado em Kannauj ou alguma outra parte da India, ainda que o vale do Indo pareça ser a região mais apropriada, mas demonstra que de todas as maneiras os ciganos não pertencem às etnias indianas (e muito menos arianas), e que suas raízes são semíticas e mais precisamente hebraicas. Grupos israelitas eram numerosos na India, e tem sido possível redescobrir alguns deles deixando de lado a indicação linguística (porque todos eles falavam línguas indianas) e concentrando a investigação em indícios culturais que revelam a verdadeira orígem, tais indícios tem sido até hoje menos determinantes que os que podemos encontrar na cultura romaní, porém tem sido suficientes para reconhecer a etnicidade israelita.
Sándor Avraham
traduzido por João Romano Filho


 

 

«Não sabemos explicar muitos de nossos comportamentos mais expontâneos, porque fazem parte da nossa herança ancestral. Até que alguém acenda uma luz e nos diga claramente o porquê de detalhes que antes nem sequer notávamos. O extraordinário trabalho de pesquisa de Sándor Avraham é esta espécie de espelho, que nos deixa perplexos».
João Romano Filho (S

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