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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

LINHA DOS EXUS E POMBA GIRAS:

Exús e Pombagiras


Quem são os Exús e as Pombagiras?

Anjos ou Demônios?

Doutrinados nas leis da Umbanda, os Exús e as Pombagiras são emissários, elo entre os homens e os Orixás.

Subordinados às energias superiores, são compro­missados com as leis divinas e estagiam em graus médios da espiritualidade, praticando o bem, caminhando na luz em busca de sua própria evolução. Trilham no astral inferior apenas para combater o mal: desfazem feitiços, trabalhos de magia em pessoas e ambientes; resgatam os espíritos malignos e obsessores, responsáveis por separações de casais; vícios de bebidas e drogas; embaraços nos negócios; perturbações; discussões em família e uma infinidade de malefícios…

Encaminham estes espíritos a um guardião-chefe, onde passam por uma triagem e, após se redimirem de seus erros, são batizados e preparados para cumprir sua missão, juntamente com o Exu que lhes resgatou. Esses Exus, no cumprimento de suas missões, evoluem: são coroados e recebem, por mérito de seu sacrifício, a condição de progredirem como elementos da linha positiva.

É comum ouvir dizer que sem Exú não se faz nada. Isso se dá pelo fato destas entidades estarem frente aos combates espirituais, prestando defesa e proteção, e não porque são vingadores, traíras ou forças do mal, como a maior parte das lendas nos leva a pensar.

Entretanto cabe lembrar, que o estágio evolutivo de Exú é “inferior” ao dos caboclos, baianos, pretos-velhos, etc., o que também não significa que não sejam evoluídos, apenas encontram-se num estágio abaixo.

Sua energia é mais densa e sua vibração ou força de incorporação está mais próxima ou similar à vibração da Terra, exigindo dos médiuns uma concentração diferenciada da que possam sentir ao incorporarem um caboclo, um baiano ou preto-velho. Fato é que, quanto mais evoluída for a entidade a ser incorporada, mais sutil será a incorporação e a energia sentida.

Há também de se lembrar que, quando um médium incorpora um Exú ou Pomba Gira, ele está ativando seus chakras inferiores, e, se este médium for despreparado ou tiver conduta questionável, poderá interferir na incorporação: ele dará vazão aos seus sentimentos menores, transferindo para o Exú o seu tipo de comportamento e neste caso não há dúvidas: o médium está mistificando um ato sagrado da espiritualidade.

Outro aspecto a ressaltar é que esse estágio espiritual, onde se encontra Exú, em nada o impede de trabalhar harmoniosamente com as entidades mais evoluídas, até porque a questão hierárquica, no Plano Astral, é sublimada: lá não existem disputas pelo poder, pois, todos estão conscientes de suas tarefas e de seus graus.

Bom, agora que já transcorremos de forma esclarecedora, sobre o tema, conheça mais sobre alguns guardiões e suas falanges.

Sua Forma Original

Na tentativa de manter o culto aos seus deuses no Brasil, os negros escravos buscaram pontos de convergência entre a trajetória dos santos católicos e os dezesseis orixás do culto do Candomblé, mais conhecidos e tradicionalmente cultuados. Exú foi representado no sincretismo católico, pelos negros africanos, por Santo Antônio, simplesmente por questões similares como a cor de ambos e governança: o número sete, os cemitérios, as encruzas e sua personalidade forte.

Este orixá foi o que mais sofreu uma perseguição sistemática, pelos missionários catequizadores, sendo associado ao Diabo. Nesta mistura de mentiras, médiuns despreparados recebiam espíritos que se passavam por Exú, dizendo que era o Demônio, fazendo com que comerciantes inescrupulosos e ignorantes criassem uma imagem de Exú, cada vez mais distorcida e tenebrosa. Exú, sobre esta concepção, ganhou chifre, rabo e pata de animais.

Verdade é que, a forma original de Exú é humana, ele tem dois braços, duas pernas, dois olhos e uma cabeça! Os espíritos que compõem a falange de Exú são espíritos como nós, contemporâneos até. Essa associação, indevida e maldosa, com o passar do tempo, foi caindo no gosto popular e na psique de pessoas mentalmente e espiritualmente doentes, que começaram a construir a visão irreal de que Exú é o Demônio. Diferente dos kiumbas (que são espíritos moralmente atrofiados ou que buscam apenas tumultuar o ambiente), zombeteiros e outros espíritos oportunistas, que podem mistificar os trabalhos espirituais e se passarem por Exú, cada ser humano têm, pelo menos, um casal de Exús que influenciam permanentemente em seu destino.

Aproveitamos para esclarecer outro mito: independe do sexo e da sexualidade do médium a incorporação de uma Pombogira ou de um Exú ocorre normalmente, isto quer dizer que um médium homem jamais terá sua sexualidade transmutada ou interferida porque incorpora uma Pombogira e a recíproca é verdadeira. Estas “lendas” em nada conferem com a realidade da pura espiritualidade e, pelo contrário, distorcem ainda mais a verdade dos fatos.

Origens do nome Exú

            A título de curiosidade apenas, ressalto que existem várias correntes que afirmam diferentes origens para a palavra Exú, a saber:
            
            A primeira corrente afirma que a palavra Exú seria uma corruptela ou distorção dos nomes Esseiá / Essuiá, significando lado oposto ou outro lado da margem, nomenclatura dada a espíritos desgarrados que foram arrebanhados para a Lemúria, continente que teria existido no planeta Terra.
            
            A Segunda corrente assevera que o nome Exú seria uma variante do termo Yrshu, nome do filho mais moço do imperador Ugra, na Índia antiga. Yrshu, aspirando ao poder, rebelou-se contra os ensinamentos e preceitos preconizados pelos Magos Brancos do império. Foi totalmente dominado e banido com seus seguidores do território indiano. Daí adveio a relação Yrshu / Exú, como sinônimo de povo banido, expatriado.
           
            A terceira corrente afirma que o nome Exú é de origem africana e quer dizer Esfera.
           
            Saliente-se que entre os hebreus encontramos o termo Exud, originário do sânscrito, significando também povo banido.
        
            Como disse anteriormente, é apenas a título de curiosidade, pois nada disso interfere no trabalho de Exú nos terreiros de Umbanda.

Mitos
          
           Tudo isto esclarecido, passemos a tentar esclarecer alguns pontos que são mitos dentro da Umbanda. Mitos que foram criados por pessoas que não entendiam o verdadeiro trabalho de Exú na Umbanda, aliás, não entendiam o verdadeiro trabalho da Umbanda.
           
           A Umbanda em sua dinâmica básica lida com espíritos dos mais variados graus de evolução. As entidades, guias e mentores que se apresentam nos terreiros exercem um trabalho incansável contra as forças trevosas.
           
           A origem de qualquer coisa em uma religião tem a ver com a função dela dentro da mesma.
           
          Na Umbanda a origem de Exú está em função da necessidade de existirem guardiões, encaminhadores e combatentes das forças trevosas. Trabalho básico da Umbanda. Por isso se diz que “Sem Exú não se faz nada”. Isso não porque Exú não deixa, porque é vingador, traíra ou voluntarioso como querem fazer pensar algumas lendas sobre Exú, mas sim porque não há como combater forças trevosas sem defesa e proteção.
           
          Então pode vir a pergunta: “Então nossos guias (caboclos e pretos velhos) não nos protegem e defendem?” Claro que protegem e defendem, entretanto cabe a Exú o primeiro combate, o combate direto contra as energias que circulam no Astral Inferior. Esta é a especialidade de Exú, pois conhece profundamente os caminhos e trilhas desse ambiente energético. É a sua função primeira, assim como a dos Caboclos e Pretos Velhos é a de nos orientar e aconselhar.
           
           Tudo na Umbanda é organizado, coerente e lógico.
              
           Tendo isso em mente, um segundo mito a ser desfeito diz respeito a confiabilidade de Exú. Como disse anteriormente, Exú não é traíra! Qual a lógica dos Orixás e as entidades de luz os colocarem como guardiões, defensores se eles fossem “subornáveis”, se eles não fossem confiáveis?
           
           Seguindo o mesmo raciocínio outro mito que não tem base alguma é “Exú tanto faz o mal quanto faz o bem e depende de quem pede. Nós é que somos os maus na história”. Não existe “defesa” pior para Exú do que esta, pois trata-se de outra incoerência! Se uma criança sabe diferenciar o bem do mal, como Exú, conhecedor de segredos de magia, manipulador de magia, defensor, combatente de forças trevosas possa ser tão imbecil a ponto de não diferenciar o bem e do mal e o que é pior trair a confiança de Caboclos e Pretos Velhos? E ainda por cima não ter nenhum tipo de aspiração evolutiva, ou seja, ficar sempre entregue a mercê de nossa vontade nunca aspirando evoluir?
           
            Aí vem outra pergunta: “Mas eu fui num terreiro e disseram que o trabalho contra mim foi feito por um Tranca Ruas”. Resposta: o trabalho foi feito por um obsessor se passando por Tranca Ruas. Aliás, obsessor se passa por tudo, inclusive por enviado de Orixá, como Caboclo e Preto Velho.
            
           E por que isso acontece? Por causa de médiuns invigilantes. Médiuns pouco compromissados com o Astral Superior, médiuns e dirigentes ignorantes. Médiuns e dirigentes que buscam os terreiros de Umbanda para satisfazer as suas baixas aspirações, como válvulas de escape para fazerem “incorporados” o que não tem coragem de fazer de “cara limpa”! Médiuns de moral duvidosa que gritam, xingam, bebem, dançam de maneira grotesca para uma casa religiosa e imputam a Exú esses desvarios. Caso estejam realmente incorporados estão na realidade é sofrendo a incorporação de kiumbas. Nunca um Exú ou Pomba Gira de verdade irá se prestar a um papel desses.
            
            Outro ponto que gera muita confusão diz respeito a incorporação de Exú, pois já ouvi a pergunta: “Se ele é guardião, quando está incorporado não está “guardando” nada.”  Novamente a lógica e a coerência devem falar mais alto do que a ignorância e a incredibilidade.
            
            O Exú Guardião não é o que incorpora nos terreiros. Os que incorporam são Exús de Trabalho (como eu costumo chamar), de defesa pessoal do médium. Esses Exús também participam dos trabalhos junto aos Exús Guardiões e Amparadores no combate as forças do Astral Inferior, mas os Exús de Trabalho tem um outro tipo de compromisso que é com a Banda do médium e para com a Casa a qual o médium está. Por isso respeitam o templo religioso e não induzem o médium a embriagues, algazarra ou a comportamentos chulos e deselegantes.
            
            São espíritos de luz em busca de evolução. Que estão altamente compromissados com as esferas superiores, com os guias e protetores do médium e com toda a egrégora de luz da Casa na qual o médium está inserido. Trabalhando diretamente com esta egrégora eles auxiliam no combate e encaminhamento dos espíritos que são atraídos pela corrente de desobsessão do terreiro que fazem parte.
           
            A palavra de ordem de Exu é “compromisso”! Por tudo isso ele não é e nem nunca foi traidor ou do “mal”.

A Umbanda através de uma ação conjunta dos componentes da egrégora de uma Casa de Umbanda pôde proporcionar alívio, conforto e libertação aos membros da família e auxílio aos irmãos perdidos nas trevas da ignorância, do ódio, do rancor, do remorso e da culpa.

Organograma do Reino dos Exús

Marabô - (Put Satanakia) - É determinado a esse Exú, a fiscalização do plano físico, distribuindo ordens aos seus comandados. Apresenta-se como um autêntico cavalheiro, dominando o francês, apreciando bebidas finas e os melhores charutos. Exú de gênio muito difícil, raramente apresenta-se em terreiros.

Exú Mangueira - (Agalieraps) - Muito confundido com Marabô, salvo pelo fato de quando está sendo incorporado expele o cheiro forte de enxofre, também de gênio muito difícil, é necessário recorrer a Entidades Superiores para sua retirada.

Tranca-Ruas - (Tarchimache) - Grandioso Exú. Todo terreiro deverá solicitar seus valorosos trabalhos antes de começar as seções. Sendo solicitado, guardará as porteiras dos terreiros com sua falange, contra os kiumbas (Espíritos Obsessores). Guardião dos recintos onde se pratica a Alta Magia, como na Umbanda. Devemos saudar a este Grande Exú. É conhecido também como tranca Rua das Almas e Tranca Ruas de Embaé.

Exú Tiriri - (Fleruty) - De grande força para despachar trabalhos nas encruzilhadas, matas, rios, apresentando-se como um homem preto com deformação facial.

Exú Veludo - (Sagathana) - Bastante evocado na Quimbanda, principalmente na Alta Magia, atendendo com rapidez a quem recorre a sua proteção. Apresenta-se como um fino cavalheiro muito bem vestido, curiando bons conhaques e fumando bons charutos. Sua presença é facilmente notada, pois em sua representação, possui "pés de cabra", gostando de trabalhar com "as moças".

Exú dos Rios - (Nesbiros) - Companheiro de Veludo, domina as margens dos rios e é confundido com um Caboclo de Penas, porém, usa vestimentas de penas negras e apresentando também, chifre. Comanda a Linha Mista da Quimbanda.

Exú Calunga - (Syrach) - Comanda uma falange de 18 Exús, apresentando-se como um anão. Também chamado de Gnomo, Calunguinha, Duende ou Saci. Comanda mais quinze outros Exús, que são: Quebra-Galho, Pombo-Gira, Tranqueira, Sete Poeiras, Gira Mundo, Das Matas, Dos Cemitérios, Morcego, Sete Portas, Sombra, Tranca Tudo, Pera negra, Capa preta e Marabá.

Exú Omulú - Meu Pai, Atotô, Meu Pai! No culto nagô é chamado de Abaluaiê ou Abaluaê. Senhor Supremo dos Cemitérios (Calunga menor), incumbido de zelar pelos mortos ali enterrados. Apresentando-se nos terreiros coberto por um lençol ou toalha branca, tendo que ser levantado por médium de muita firmeza. Comandando uma das mais poderosas Linhas da Quimbanda, a Linha das Almas. Senhor de um grande poder, comparado apenas ao Maioral. Quando solicitado, trabalha para minimizar o sofrimento dos filhos, recebendo obrigações, presentes e solicitações no cruzeiro do cemitério. Possuindo dois grandes colaboradores, Exú Caveira e Exú da Meia-Noite.

Exú Caveira - (Sergulath) - Auxiliar direto de Exú Omulú, seu braço direito, é o guardião das porteiras dos cemitérios, onde devemos salvar seu Caveira. Transmite muito medo e respeito, nas seções e nas entregas. Apresenta-se com seu rosto na forma de uma caveira, não tendo hora certa para se apresentar, sendo por volta da meia-noite, o costumeiro. Lidera e tem sob seu comando sete Exús, a saber: Tata Caveira, Brasa, Pemba, Maré, Carangola, Arranca-Toco e Pagão. Além desses, comanda também Exú do Cheiro (Cheiroso) - (Aglasis) - que tem sob sua guarda outros quarenta e nove Exús.

Exú da Meia-Noite (Hael) - especialista nas forças ocultas, decifrador de quaisquer idiomas ou letras, apresenta-se de capa preta e seus inconfundíveis olhos de fogo e pés de cabra. Seu horário é a meia-noite daí seu nome, neste momento, não se encerram as seções nos terreiros, pois Hael está de ronda. Dizem que São Cipriano, aprendeu de Hael tudo que sabia em relação a Alta Magia, (Livro da Capa Preta). Lidera também sete Exús: Mirim, Pimenta, Malé, Sete Montanhas, Ganga, Kaminaloá e Quirombô. Comanda ainda o Exú Curadô (Meramael).

Alguns Nomes das Pombagiras - Maria Padilha, Maria Mulambo, Tatá Mulambo, Cigana, Pombagira da Calunga, Maria farrapo, Dona Figueira, Rosa Caveira, Pombagira Menina, Sete Saias, Pombagira do Cruzeiro e etc...



Linhas de trabalho:


Exús do Cemitério:

São Exús que, em sua maioria, servem à Obaluaiê. Durante as consultas são sérios, reservados e discretos, podem eventualmente trabalhar dando passes de limpeza (descarregando) o consulente. Alguns não dão consulta, se apresentando somente em obrigações, trabalhos e descarregos.

Exús da Encruzilhada:

São Exús que servem a Orixás diversos. Não são brincalhões como os Exús da estrada, mas também não são tão fechados como os do cemitério. Gostam de dar consulta e também participam em obrigações, trabalhos e descarregos. Alguns deles se aproximam muito (em suas características) dos Exús do cemitério, enquanto outros se aproximam mais dos Exús da estrada.

Exús da Estrada:

São os mais "brincalhões". Suas consultas são sempre recheadas de boas gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim estas "brincadeiras" devem partir SEMPRE do guia e nunca do consulente. São os guias que mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e também falam bastante, alguns chegam a dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo.

               Se ainda lhe resta alguma dúvida eu afirmo a minha certeza: a Umbanda nasceu do Coração de Zambi em Sua Infinita Misericórdia por nós! Porque só a Umbanda tem quem nos defenda e proteja independentemente da nossa ignorância nos impedir de reconhecê-los como bons e amigos!