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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

OS MARINHEIROS NA UMBANDA:



OS MARINHEIROS NA UMBANDA



          Aos poucos eles desembarcam de seus navios da Calunga Grande (mar) e chegam a Terra. Com suas gargalhadas, abraços e apertos de mão, são os marujos que vêm chegando para trabalhar nas ondas do mar. Os Marinheiros são homens e mulheres que navegaram e se relacionaram com o mar. Que descobriram ilhas, continentes, novos mundos.

          Enfrentaram o ambiente de calmaria ou de mares tortuosos, em tempos de grande paz ou de penosas guerras. Os Marinheiros trabalham na linha de Iemanjá e Oxum (povo d'áqua), e trazem uma mensagem de esperança e muita força, nos dizendo que se pode lutar e desbravar o desconhecido, do nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança e trabalho unido, em grupo.

          Seu trabalho é realizado em descarrego, consultas, passes, no desenvolvimento dos médiuns e em outros trabalhos que possam envolver demandas. Em muito, seu trabalho é parecido com o dos Exús. Dificilmente um leigo irá notar a diferença entre alguns marinheiros e os Exús na ora da gira, pois alguns Exús vêm com todos os trejeitos dos Marinheiros e com outros nomes, é quase imperceptível.

          A Linha (Falange) dos Marinheiros tem sua origem na linha de Iemanjá e são chefiados por uma entidade conhecida por Tarimá. São espíritos de pessoas que em vida foram marinheiros ou tiveram algum tipo de ligações com eles.

          São muito brincalhões e normalmente bebem muito durante os trabalhos, por esse motivo a sua evocação não é muito freqüente, porém quando Doutrinados eles não bebem em excesso. O plano espiritual superior os evoca para descarga pesada do templo, desta forma a eles podemos pedir coisas simples, eles não são muito dados a falar ou dar consultas.

          A descarga de um terreiro uma vez efetuada será enviada ao fundo do mar com todos os fluidos nocivos que dela provem. Os Marinheiros são destruidores de feitiços, cortam ou anulam todo mal e embaraço que possa estar dentro de um templo, ou ainda, próximo aos seus freqüentadores.

          Nunca andam sozinhos, quando são solicitados para um trabalho, unem-se em legiões, fazendo valer o principio de que a união faz a força, o que os torna imbatíveis nesse sentido. Alguns representantes mais conhecidos: Maria do Cais, Chico do Mar, Zé Pescador, Seu Marinheiro, Seu Iriande, Seu Gererê, Seu Martim Pescador, Nuvem Azul, Aguá Maré, Maré Mansa, Sete Ondas, Sete Mares, Sete Maresias, Janaina da Praia, Zé do Leme e etc...


          Vêm com seus bonés, calças, camisa e jaleco, em cores brancas de marinheiros e azul marinho de capitães de barco. Cores essas votivas da linha do mar.

          Nunca se oferece a eles conchas, estrelas do mar ou outros objetos do mar, pois como Marinheiros que são, consideram que ter objetos pertencentes ao mar traz má sorte, a exceção dos búzios (que não consideram como adornos, e sim como símbolo de dinheiro). Este povo recebe as oferendas na orla do mar em lugar seco sobre a areia.

          A gira de Marinheiro e bem alegre e descontraída, eles são sorridentes e animados, não tem tempo ruim para esta falange. Com palavras macias e diretas eles vão bem fundos na alma dos consulentes e em seus problemas. A marujada coloca seus bonés e, enquanto trabalham, cantam, bebem e fumam. Bebe Whisky, Vodka, Vinho, Cachaça, e mais o que tiver de bom gosto. Fumam charuto, cigarro, cigarrilha e outros fumos diversos.

          Em seus trabalhos são sinceros e ligeiramente românticos, sentimentais e muito amigos. Gostam de ajudar a todos que estão com problemas amorosos ou em procura de alguém, de um "porto seguro". A gira de Marinheiro, em muito, parece uma grande festa, pela sua alegria e descontração, mas também, existe um grande compromisso e responsabilidade no trabalho que é feito.

          Seus integrantes se apresentam com a aparência de marinheiros e pescadores, gente acostumada a navegar. Representa o homem do mar, bebedor, mulherengo, que gosta de beber com os amigos nos bares e cantar alguma canção. São alegres e encaram os problemas de um ponto de vista simples. Caminham balançando-se de um lado para o outro, como se estivessem mareados.

          Relacionam-se com os amores ilícitos, passageiros e encontros esporádicos com amantes. Também se pede a eles que nos protejam nas viagens pelo mar e que nada de mal nos ocorra. Como quaisquer outras entidades de umbanda dão conselhos e orientações aos que precisam.

          As mulheres deste povo representam as mulheres que trabalham nas cercanias dos portos servindo bebidas nos bares, onde se juntavam para beber os Marinheiros, Malandros e Ciganos, realizando seus negócios e muitas vezes comprando o contrabando trazido nos barcos.


OS  MARINHEIROS  NO  CATIMBÓ:


          São também grandes Mestres da Jurema e possuidores de um grande ensinamento.  Em geral, os Marinheiros, Marujos, Navegadores e Pescadores que na maioria tiveram seus desencarne nas águas profundas do mar, são comandados e chefiados pelo Mestre Martim Pescador, grande catimbozeiro e que trabalha com as energias das águas do mar.
      

          Em comum não são possuidores de giras próprias e se fazem presentes nas giras do Catimbó. Em algumas regiões são conhecidos como marujeiros. Suas cores são o branco e azul, vem quase sempre vestidos de marujos, tem no peixe o seu símbolo máximo, comem todos os tipos de frutos do mar. Sua saudação é TRUNFÊ, TRUNFÁ TRUNFÁ REÁ, A COSTA MARUJADA!!!

          Quando dão consultas, essa Falange costuma ir direto ao ponto, sem rodeios, mas também sabem como falar aos consulentes sem criar um clima desagradável ou de medo. Assim, conseguem atingir fundas as almas dos aflitos que costumam procurá-los em busca de auxilio e de esperança.

          Todas as pessoas têm uma idéia muitas vezes distorcida desta linha de trabalho. Os marinheiros são em sua grande maioria espíritos que milita a Umbanda para dar sustento no campo da diluição de cargas negativas, outros atuam como elementos de sustentação de trabalhos voltados a curas, atraindo os poderes elementais dos quais estes espíritos de alto grau espiritual, trazem consigo.

          Na realidade estes abnegados servidores da lei são verdadeiros “magos que atuam nos mistérios aquáticos” e com uma forma de atuação única dentro dos domínios da Umbanda. Como magos, trazem para nós, a possibilidade de nos libertar-mos de nossos entraves, com uma forma bem simpática lidam com os consulentes de forma extrovertida, deixando o assistido muito à-vontade com trejeitos peculiares desta linha maravilhosa da umbanda.

          Muito diferente do que imaginamos estes irmãos do astral não são e não estão embriagados, como muitos se mostram na realidade sua forma de balanço é uma maneira de liberar suas ondas energéticas se utilizando do próprio médium.


COMO ISSO OCORRE?


          Em torno do médium existe um campo de energia sustentado por seus centros de força e, além da energia gerada a partir da energia corpórea, existe um campo espiritual que se reflete em todo o ambiente. Os guias quando incorporados em seus médiuns, dançam, giram, balançam, gesticulam, etc.… desta forma os guias liberam não só a energia que se desprende do médium, mas também libera de forma salutar o poder de seu mistério através de ondas magnéticas que são liberadas dentro do campo espiritual do médium e do templo. É desta forma que os marinheiros fazem, em formas onduladas, ou através de seu balanço, que mais parece de uma pessoa embriagada, é que este irmão na luz faz seu trabalho redentor dentro dos campos da Umbanda.

          É importante que os médiuns e principalmente os assistidos, saibam de tal fato, para que estes não deturpem e não dêem um mal sentido aos trabalhos de Umbanda.


SARAVÁ OS MARINHEIROS.  HEI!!!

 MARUJADA!!!

 
http://mensageirodaluz.blogspot.com.br