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domingo, 25 de agosto de 2013

COMO NASCE UMA POMBA GIRA?


Carmem vagava pelas ruas sem saber para onde ir. Perdera os pais quando tinha cinco anos, e fora morar com seus tios.

Tratada como escrava em casa deles, nunca soube o sentido das palavras felicidade, carinho, amor. Analfabeta, conhecia apenas os segredos da cozinha e da faxina que era obrigada a fazer diariamente.

O assédio de seu primo tornava-se insuport-avel, à medida que crescia em formas e beleza. Tanto o rapaz insistiu que acabou tirando sua virgindade. Foram flagrados na cama por sua tia, que em momento nenhum duvidou da palavra do filho, de que fora ela quem o seduzira para obrigá-lo a se casar com ela. Ora, isso a orgulhosa mulher jamais admitiria, ver seu filho casado com uma órfã analfabeta sem eira nem beira. Carmem foi posta na rua sem um tostão e apenas com a roupa do corpo.

Agora estava ali, mais desvalida do que nunca, sem um teto sobre a cabeça, perambulando por ruas que não conhecia, em uma noite escura e fria, lágrimas escorrendo por seu lindo rosto. Um rapaz se aproximou dela e perguntou o que uma moça tão bonita fazia por ali, e porque chorava.

Carmem achou que ele tinha um aspecto bom e compreensivo. Desalentada, contou-lhe sua triste história. Nada tinha a perder. Quem sabe aquele rapaz não a ajudaria/ Fora o único ser humano a demonstrar interesse por seus sofrimentos, em todos os seus 17 anos de vida. Após ouvir tudo ele disse, venha comigo, tenho um lugar para você ficar! Sem outra opção, Carmem o seguiu. Entraram em um casarão escuro em que somente uma pequena luz vermelha alumiava. Uma senhora vestida e maquiada com extravagância os atendeu. Outra menina, Jorginho? Perguntou. E o rapaz disse para a cafetina, essa é minha e vai dormir somente comigo, eu vou pagar para que seja somente minha.

A partir dessa noite, Carmem tornou-se uma das meninas da famosa Madame Eglantine. A princípio deitava-se com Jorge apenas por gratidão, mas aos poucos se apaixonou pelo rapaz, que em pouco tempo enjoou do que havia conseguido com facilidade. Um dia o rapaz foi ter com a Madame e disse, já está na hora da garota começar a fazer a vida, não tenho mais como pagar sua estadia aqui. Madame Eglantine sorriu com desdém, era sempre assim que acontecia.

Ao ser informada de que agora teria de atender aos clientes, tal como as outras, Carmem desesperou-se e chorou muito. Sem ter como fugir da situação, à noite foi para o salão. Sentada no grande salão mal iluminado, usando um vestido vermelho justo e decotado, Carmem aguardava a hora de algum homem abordá-la.

Em dado momento Madame Eglantine apareceu com um senhor já idoso e lhe disse, querida, trate muito bem o Comendador Belisário, ele é prata da casa! Ao olhar o homem Carmem sentiu náuseas, ele podia ser seu avô! Madame Eglantine percebeu e lhe ordenou, leve-o para o quarto e faça tudo o que ele quiser.

Com os pés vacilantes ela subiu as escadas, puxando o Comendador pela mão. O velho fungava em sua nuca e ela, ao sentir seu hálito mal cheiroso, o empurrou com violência. Isso excitou ainda mais o Comendador, que agora babava em seu pescoço. Cega pelo desespero, Carmem agarrou a haste de bronze de um abajur próximo e golpeou com ódio a cabeça de Belisário. O velho, tomado de ira, apertou o pescoço da moça até que, com os olhos vidrados e roxa, ela caiu morta aos seus pés. Assustado pélo que fizera e meio tonto pelo golpe que tomara, o velho rolou escada abaixo e caiu morto no meio do salão de Madame Eglantine.

Durante muitos anos, o espírito de Carmem vagueou por regiões escuras e umbralinas, até ser resgatada por benfeitores espirituais que cuidaram dela, e se transformou na Pomba Gira Dama da Noite, uma entidade da Umbanda.

( Nota: Pomba Gira é um nome genérico dado aos espíritos de mulheres da vida, cortesãs e outras, que trabalham na Umbanda. Quase todas têm uma história terrena trágica, como a dessa entidade. Em breve postarei outras histórias no site. Eclarecendo aos leitores que eu não sigo uma religião específica, mas creio que Deus é um só Pai, e respeito todas as crenças que conduzem aos caminhos do bem e da luz. )

Parte 02



França, final do século XIX. Juliette estava desesperada. Aos 17 anos, filha de nobres franceses, estava prometida em casmento ao jovem Duque Dareaux. Mas havia se apaixonado por um dos cavalariços da propriedade de seu pai, entregara-se a essa paixão, e agora esperava um filho, fruto dese amor proibido. Somente confiara o segredo a sua velha ama Marie, quase uma segunda mãe, que a vira nascer e a criara. Sua mãe verdadeira já havia falecido. Marie a aconselhou a fugir com Jean, seu amado.

O rapaz a amava mais que tudo nesse mundo, e concordou que a única saída era fugirem juntos, para viverem uma vida humilde em algum outro país. Então, certa noite fugiram os três, levando apenas alguns poucos pertences e os cavalos. Perto da meia noite, Juliette e Maria esgueiraram-se até os fundos do pomar, onde o rapaz as aguardava. Montaram rapidamente e partiram.

Porém Sophie, a filha do caseiro, que era apaixonada por Jean e morria de ciúmes de Juliette, soube de tudo e avisou o nobre Antoine, pai da moça. Imediatamente ele partiu com seus homens em perseguição dos fugitivos. Em pouco tempo os alcançaram na estrad. Antoine gritou para que parasem. Asustado, Jean apresou o galope e um tiro fatal o acertou bem no meio das costas, varando-lhe o coração. Juliette correu para o amado, gritando de desespero, quando ouviu um segundo tiro. Olhou para trás, sua querida ama Marie jazia morta no chão.

Cega de dor e desespero, a moça pegou a arma de Jean e apontou-a para seu próprio pai. Minha filha, solte, esa alma! Ele gritou, mas Juliette apertou o gatilho e acertou seu pai, matando-o na hora. Chorando e em total descontrole, a jovem saiu corendo na escuridão daquela noite tenebrosa. A poucos metros havia uma ponte sobre um rio profundo, e Juliette jogou-se na água gelada, acabando com sua própria vida e a do filho que esperava.

No Astral, um triste destino aguardava seu espírito atormentado.. depois de vaguear por muitos lugares negros e portais de sofrimento, e conhecer as mazelas de incontáveis almas sofredoras como ela, Juliette foi recolhida por Espíritos Socoristas e se transformou na Pomba Gira Maria Navalha dos Sete Cruzeiros da Calunga, que socore aos que a invocam com palavras de fé, e um soriso constante de quem muito sofreu, e compreende o sofrimento alheio.



Parte 03



Apenas uma menina que perdeu sua inocência..

Seu nome era Swang Pi. Era uma menina doce e meiga, de olhos amendoados, nascida na Birmânia, sul da Ásia, em 1838. Naquele tempo, seu país era uma colônia britânica. Com apenas 9 anos, Swang Pi foi vendida por seus pais a um grupo de soldados britânicos, e como outras meninasda mesma idade, foi transformada por eles numa escrava sexual. Durante o dia elas faziam o serviço doméstico, lavavam e cozinhavam, e à noite eram abusadas de todas as formas e por vários homens. Em certos dias, Swang Pi estava tão dolorida e machucad, que mal podia andar.

Para fugir de sua triste realidade, aprendeu com as mais velhas a refugiar-se no mundo do álcool e a usar pinang, uma espécie de planta estimulante. Ao atingir os 13 anos, toda a sua noção de vida real havia se perdido, e ela vivia apenas para a bebida, as drogas e o sexo. Então faleceu, vítima de uma overdose de bebida e alucinógenos.

Acordou no Plano Espiritual, em meio a outras almas sofedoras, sem entender o que havia lhe acontecido. Sua avó, que a amava muito, a socoreu e levou para um posto de socoro espiritual. Quando se recuperou, Swang Pi decidiu que queria ajudar as meninas que, assim comno ela, perderam a inocência antes da puberdade. Foi designada para trabalhar no Norte do Brasil, onde muitas meninas passam por situações como a que ela passou na Terra, com histórias de dor e sofrimento.. hoje ela é a Pomba Gira Menina, entre muitas outras que atuam na Umbanda com esse pseudônimo.

Parte 04



Conta-se que no século XIII existiu em uma aldeia da Irlanda três irmãs donas de poderes ocultos... que ajudavam muitas pessoas em troca de presentes e dinheiro. Elas eram consideradas bruxas mercenárias, que se aproveitavam de seus poderes para ter uma vida de luxo e fama. Muitos reis, rainhas e outros membros da nobreza, ao saberem dos poderes das três moças, recorriam a elas...

Um dia, a Inquisição soube dafama das três irmãs bruxas e também dos vastos bens, adquiridos por elas com suas magias. Condenaram as moças a morrerem queimadas vivas na fogueira, e com isso mostrar que o verdadeiro poder só vinha da Santa Madre Igreja.

As três foram queimadas em uma sexta feira de Lua Nova. Seus corpos carbonizados foram colocados em três urnas, amarradas com correntes e cadeados e jogados num calabouço, para mostrar ao povo que na verdade elas pertenciam ao Inferno.

Chegando no Astral, as três irmãs foram recebidas por uma entidade muito poderosa, chamada Rainha das Almas. Ela se identificou como sendo a mãe delas, que as havia abandonado ainda muito pequenas, para fugir com um cavaleiro andante. Lá no Mundo Espiritual, cuidou das filhas com muito carinho, até se recuperarem da morte violenta que sofreram. Então elas se transformaram nas Três Giras das Almas, e a partir daí começaram a trabalhar nos portões do cemitérios.

Essas três entidades estão sempre juntas, e recebem suas oferendas em portões de cemitério, nas sextas feiras de Lua Nova. Gostam de champagne doce, velas e rosas brancas. Sua mãe, a Rainha das Almas, deve ser saudada antes de fazer os pedidos, pois é ela quem autoriza as moças a trabalharem. São muito eficientes em tudo o que lhes é pedido, mas também são boas cobradoras e não admitem calotes, por isso, tudo o que lhe for prometido deve ser pago com rapidez.





Parte 05

Maria era filha de um fazendeiro muito rico. Seu pai era considerado um dos Reis do Café. Uma moça bonita e prometida em casamento, mas se apaixonou por um dos peões da fazenda. Amaram-se, entregaram-se e viveram esse amor. Ela fugiu com ele. O pai os perseguiu. Mudaram-se muitas vezes, mas não foi possível esconder-se para sempre. O pai possuía dinheiro e sede de vingança. Contratou capangas, que os encontraram... violentaram Maria muitas vezes, mataram o peão de forma lenta e cruel na sua frente. Ela estava grávida e perdeu o bebê. Acordou horas depois, toda esfarrapada e coberta de sangue. Pensou em se matar, mas acreditava em Deus e não podia tirar a própria vida. Precisava sobreviver de alguma forma... procurou emprego, mas não lhe deram Nem no bordel foi aceita, pois estava num estado delorável. Teve de mendigar para comer... sobreviveu a custa de muita dor e sofrimento, lembrando todos os dias de seu grande amor, e de seu filhinho que nem chegara a nascer. Viveu dez anos dessa maneira... a única coisa de que podia dispor eram seus dentes, e vendeu um a um para ir vivendo. Quando já estava às portas da morte, consumida pela tuberculose, uma senhora bondosa a acolheu em sua casa, mas Maria veio a falecer dias depois. Hoje ela é a Pomba Gira Maria Mulambo das Almas, que cuida dos mendigos e desvalidos, como ela mesma já foi um dia...

Parte 06



Rúbia era uma belíssima e jovem cigana. Certa tarde, ela caminhavas pela rua quando começou a ouvir passos atrás de si. Era Felinto, um bêbado que há muito tempo a perseguia. Linda, adolescente, cabelos cor de fogo, ela atraíra a cobiça e a luxúria do homem.

Rúbia entrou por uma viela, assustada, tentando despistar seu perseguidor. No entanto, foi pior e ele estava a poucos passos dela. Rúbia olhava para os lados, a procura de alguém a quem pudesse pedir ajuda, mas a cidade estava deserta, a tarde caía.

Todos conhedciam as bebedeiras daquele homem, mas nunca se soubera que ele fizesse mal a alguém. Mas Rúbia pressentia suas más intenções e estava apavorada. Ela nunca saía sózinha, apenas acompanhada de algum de seus irmãos, mas achava que, já sendo uma moça, tinha direito a um pouco mais de liberdade. Naquela tarde, fora dar um passeio às margens de um arroio próximo, e voltava para seu acampamento muito feliz.

Ela ainda tentou correr, mas foi inútil; sentiu uma das mãos de Felinto tapar sua boca, enquanto ele a derrubava no chão, tirando sua virgindade numa dor profunda. Completado o ato, ele se ergueu com um sorriso cínico nos lábios.

Rúbia olhou ao seu lado e viu uma pedra ponteaguda. Com muito ódio pelo que havia acontecido, agarrou a pedra e, percebendo Felinto distraído abotoando as c alças, deu-lhe uma pedrada com toda a força. Mas ele era muito forte , se virou e a agarrou pelo pescoço, e assim, Rúbia foi perdendo os sentidos e deu seu último suspiro, ao mesmo tempo em que Felinto caía, morto também, sobre seu corpo. Foi assim que os dois foram encontrados.

O espírito de Rúbia vagou por muito tempo por vales sombrios, até que ela foi socorrida e transformou-se na Pomba Gira Cigana Rúbia Rosa Vermelha, entidade discreta e bela, que encanta a todos que a conhecem...



Parte 07 - Final



Carrana vivia numa aldeia de pescadores, numa ilha do Oceano Pacífico. Esses pescadores adoravam o grande rei maligno do mar, Dagon,por temer sua fúria, e para que ele não deixasse nunca de fornecer peixes para alimentar suas famílias.

A cada sete anos, o povo fazia um sacrifício humano para acalmar Dagon, levando uma virgem até a beira do mar, amarrando-a em duas pedras e entregando-a a Dagon, que a levava quando subia a maré.

Carrana era uma menina de temperamento forte, me ficava muito revoltada com isso. Ela n~çao seria oferecida em sacrifgício, pois estava sendo preparada para ser a grande sacerdotisa de seu povo. Então, certa noite de lua cheia, sem acordar os pais ela foi até a beira do mar e invocou o terrível deus marinho.

Nesse momento, o mar se abriu e Dagon surgiu, em forma de um anjo, e perguntou, que quereis de mim, linda menina, e Carrana respondeu, quero saber por que a cada sete anos levais uma menina do meu povo. E ele respondeu, porque busco uma esposa e rainha, mas nenhuma delas se mostrou digna. Mas, se você aceitar ser minha esposa, libertarei seu povo dessa maldição.

A menina então respondeu, aqui estou, pronta para libertar meu povo de vossa fúria, serei vossa esposa e rainha. Irei convosco, serei vossa eternamente, e qwuando a primeira onda do amanhecer bater nas areias da praia, seremos um só.

E Dagon levou Carrana consigo para o fundo do mar, e ela tornou-se protetora dos pescadores e das meninas que vivem em beiras de praia, e tomou o nome de Pomba Gira Menina da Praia.

Aqui encerro essa série, que contou um pouco da vida de algumas dessas abnegadas trabalhadoras espirituais, que vão nas regiões sombrias onde ninguém quer ir, resgatar espíritos sofredores, e são injustamente alvo de muitos preconceitos e desconfianças. Minhas saudações a todas!

FONTE: SOBRENATURAL.ORG