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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

4 DE OUTUBRO - DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS!!!


VIDA MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO





MÍSTICA EM GERAL E FRANCISCANA

1. Introdução
A palavra mística tem forte relação com mistério, mas também é reconhecida por referência a ascética, porém, ascética fala da ação da pessoa. A mística descreve, relaciona, o processo espiritual em que Deus se faz mais evidente no homem.

O termo místico deriva do adjetivo grego mystikós, que faz referência aos verbos myo: que significa: fechar os olhos e a boca para tomar consciência de um segredo e não divulgá-lo, e do verbo myéo: cujo significado é ser iniciado nos mistérios. Por isso nosso termo tem uma relação estreita com o mistério. No âmbito do cristianismo, a mística significa o conhecimento supremo, o qual é inexpressível em sua essência porque está acima de todo sensível racional.
1.1 O Místico

A palavra mística significa primeiramente uma experiência e em segunda instância aponta ao que nasce e cresce desta experiência. Fazemos distinção de dois tipos de místico: por um lado o místico contemplativo que descansa em Deus, por outro lado o místico inquieto que busca Deus apaixonadamente. Encontramos sempre a pergunta: Como combinar mística e contemplação? O importante é conservar a serenidade no centro de suas vidas, assim fez Tereza de Ávila, que sempre esteve viajando, Bernardo de Claraval que percorria toda Europa.

A vida mística pode ser estimulada de fora da pessoa como de sua interioridade. Todavia, esses dois âmbitos originários da vida mística se encontram, uma leva à outra e desta maneira se completam. Para Francisco de Assis o encontro com os leprosos,aos quais tinha grande repugnância, lhe converteu em novo homem…. M. Gandhi, a partir de um tempo de espera em uma estação com um grupo de parias provoca uma mudança fundamental em sua vida e, então, começa a ver a vida de outra maneira.

Francisco é um grande místico na história da Igreja, na forma de experimentar a Deus e os homens. Francisco, totalmente compenetrado de Deus, experimenta que todo o universo está unido e “impregnado do amor divino”. Já não era um homem em oração, senão a oração feita homem. A mística franciscana é inseparável da encarnação de Deus, o que a torna diferente de todas as outras correntes místicas.
1.2 Mítica Franciscana

O conceito de mística na Idade Média, estava fortemente influenciado pelo pensamento do Pseudo-Dionísio. O Pseudo-Dionísio reconhece três características:
a mística não procede pela via dos conceitos, mas a exclui para entrar no silêncio;
a mística não se comunica através de ensinamento, nem de descobre com o estudo, mas nasce do provar e padecer as coisas divinas;
a mística é fruto de um êxtase de amor.



A mística pode estar acompanhada de fenômenos extraordinários, porém, estes não são necessários e tampouco são uns elementos essenciais. O místico se sente aliciado por Deus, portanto, se trata de uma experiência religiosa gratuita. O movimento de atração a Deus torna o místico impulsionado a uma doação total de si mesmo em favor do outro. O conceito de vida mística, principalmente para o franciscano, significa o predomínio do influxo do espírito através de seus dons.

1.3. A Experiência da Renúncia e da Provação


A sabedoria do Pobre de Assis, por mais irradiante e espontânea que nos pareça, não fugiu da lei comum: foi o fruto da experiência e da provação. Amadureceu lentamente num recolhimento e numa renuncia que se aprofundou com o tempo. Esta renuncia atingiu a culminância na gravíssima crise que abalou sua ordem, sentida por ele próprio duma forma extremamente dolorosa. A ordem urgia por uma transformação, pois, havia fenômenos como: a entrada, em massa, de clérigos na comunidade dos frades dificultando a adaptação; surgiam novas necessidades devido ao grande número de frades instruídos; impunha-se uma adaptação a situação atual de existência da ordem.

Francisco tinha consciência de tudo isso, todavia, reparava que entre os que reclamavam haviam muitos levados por um espírito que não era o seu. Aqui doía para Francisco, pois, ele sentia como que se quisessem trair a forma de vida que o próprio Cristo lhe havia revelado no Evangelho.

Quando Francisco voltou de Marrocos, encontrou a sua ordem com nova face; sofreu muito, sentiu-se fracassado. Porém, Deus o esperava ali para uma suprema purificação. Com a alma em sangue, o Poverelo de Assis encaminhou-se para um desprendimento de si próprio completo e definitivo. Através da perturbação e das lágrimas, devia, enfim, alcançar a paz e a alegria.

1.4. Francisco Homem Místico


Francisco quis seguir Cristo o mais perto que a ovelha pode aproximar-se de seu pastor, assim, ele admoestou-nos a seguir Cristo com toda diligência de nosso ser, seja na dor, na enfermidade, na sede…, pois os santos praticaram tais obras, não queiramos-nos receber honra e glória somente por contar e pregar o que eles fizeram

Aos seus irmãos a quem Francisco se dirigia como mãe recomendava: “O que lhe parecer conveniente para agradares o Senhor Deus, imitares os seus passos e a sua pobreza, faze-o com a bênção do Senhor e minha aprovação” Encontramos varias passagens na Rnb, na 2R, 7Ct onde o pobre de Assis nos exorta para que o nosso único querer seja o assemelhar-se a Cristo. Esta vontade levou Francisco até a crucifixão, período mais profundo da mística de nosso seráfico pai.



1.5. A Vida Mística de Francisco


A mística de São Francisco pode ser dividida em três etapas: a purificação, a iluminação e a perfeita união. Devemos considerar, como sugere Nothenius, Helena uma quarta etapa que precede as três etapas tradicionais: a conversão entre 1203 e 1205 (2C 4; TC 4 “Francisco fica prisioneiro em Perusa , porém, Deus toma iniciativa para converte-lo” TC 6 “É melhor servir o Senhor, ou o servo…”?), a purificação entre 1205 e 1208/1209, a iluminação 1208/1209 e 1220, um período de escuridão que precede a última etapa mística entre 1220 e 1223/1224, que culmina com a perfeita união no monte Alverne.

Encontramos elementos de experiência mística no ano de 1205, quando demonstra Francisco que se propõe a não negar esmola a nenhum pobre que a pedisse por amor de Deus, mas a daria com maior agrado e abundância do que acostumava.

Esta atitude de Francisco demonstra o desapego de si, já não é seu ego o centro, Francisco começa a abrir-se mais na vida de oração e contemplação abrindo-se mais aos serviços aos pobres.

A purificação do Poverelo se dá quando ele é desprezado e ultrajado pelos seus concidadãos, os quais ridicularizam sua relação com Deus; o pedir esmola lhe serve, antes de tudo, para aprender a humildade e a dureza da condição de vida fiel a dama pobreza. Francisco dava graças a Deus porque o Senhor lhe havia tornado o amargo em doce. Após a purificação começa o período da iluminação quando Francisco ouve o Evangelho e brada: “É isso que anseio cumprir com toda minha força

A passagem de Paggio Bustone (LM 3, 6; 1C26), sintetizam em uma única experiência o tempo de purificação e iluminação. Nos narram as fontes que Francisco experimentava ema verdadeira purificação de seus pecados. Parecia um outro homem; esta é uma experiência mística pessoal, o Poverelo sente seu coração invadido por uma graça indizível. A mística Teológica reconhece normalmente uma etapa mais ou menos larga, considerada com a noite escura. Esse período se pode admitir cronologicamente na vida de Francisco a partir de 1220.



1.6. Período da Estigmatizarão


Correspondem aos dois últimos anos da vida de Francisco que vai desde a quaresma de setembro de 1224, até a sua morte. Já em 1226, Francisco purificado pela santa sabedoria, adquirida no exercício da dor e da resignação, abençoa a todos os frades e recomenda-lhes caridade entre si, fidelidade à senhora pobreza e reverência e submissão aos prelados e clérigos da Igreja.

Na oração de Francisco há uma coadunação entre o querer inconsciente e consciente de assemelhar-se a Cristo através da oração e da cruz, esse querer total de Francisco o leva a uma grande autenticidade. Francisco entrou no mais íntimo de seu ser para tornar-se ele mesmo e se lançar em Deus com toda sua força, com todo o seu ser, com toda sua alma.

2. Momentos Místicos de São Francisco
“Não era uma homem em oração, mas a própria oração feita homem”.

A oração de Francisco que diz “Meu Deus e meu tudo, equivale a disser: “Deus é o único bem; somente Deus Basta”. Possivelmente a tradução mais correta seja: “Meu Deus e todas as coisas”. Esta tradução significa que quando alguém se dirige a Deus, experimenta todo ser criado. Pela fé Francisco se dirige a Deus e todas as coisas estão intimamente unidas a Ele. Tudo fala do amor de Deus Onipotente e Francisco não nega tal realidade. Sem esta criação, unida em Deus, Francisco experimentaria somente o nada.

“Por meio de todas as criaturas o divino nos rodeia, penetra em nós e nos impregna!” “Em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram!

A possibilidades da consumação trazida com a Nova Aliança em Cristo, é um capítulo imprescindível da vida, os privilegiados com a revelação de Cristo devem se esforçar para receber os efeitos, a graça da Nova Aliança.

“São mistérios de Deus que Francisco vai descobrindo; e,sem saber como, é encaminhado à ciência perfeita.” Esta afirmação de Celano nos apresenta o caminho de Francisco como o caminho de um místico que descobre a Deus passo a passo , entrando no mais profundo de seu segredo.



2.1. De Sua Conversão


“Prometeu a si mesmo que jamais negaria a quem lhe pedisse em nome de Deus o que estivesse em seu alcance. E cumpriu com muita diligência, até oferecer totalmente a si mesmo… “.

Esta narração nos apresenta alguns elementos típicos de uma experiência mística. Francisco tem, de improviso, uma forte experiência interior que inunda seu coração com muita doçura. Francisco foi levado a uma realidade mais grande e sobrenatural. Esta experiência o leva a uma mudança de vida. Ele deixa de cunhar-se em si mesmo.”.

Em seu sofrimento Francisco dirige a Deus e Deus inicia com ele um diálogo. Deus assegura o futuro de Francisco em seu reino. Esse acontecimento transforma a dor, o sofrimento, tanto corporal como espiritual em alegria. Esse momento é o nascimento do Cântico das Criaturas fruto de uma profunda experiência mística. Parece que Francisco apesar da dor e da enfermidade, superou a noite escura de sua vida.

O cume da experiência Mística de Francisco se dá em 1224, no monte Alverne com a visão do Serafim e o dom dos estigmas. O desejo de Francisco de ser inundado de Deus; o ter um sentimento de compaixão e a transformação visível nos signos dos estigmas; o ecesso de caridade; estar cheio da graça; a visão misteriosa; o gozo experimentado; o ardor admirável em seu coração e ardor do Espírito. Todavia, não se pode descrever uma experiência mística, pois, esta é pessoal.

Assim, Francisco não é somente o fundador da ordem Franciscana, não é somente o modelo de uma vida evangélica, ele é isso e ainda mais; é um místico predileto de Deus e confirmado pela graça recebida.



2.2. O Início de sua Vida Penitente


“Foi assim que o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles. E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo. E depois disto demorei só bem pouco e abandonei o mundo”.

Nesta passagem reconhecemos uma experiência mística. Nesses versículos do testamento há uma terminologia que expressa um acontecimento que tem uma dimensão mística. “O Senhor deu a mim, o Senhor me conduziu; o que parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo; abandonei o uno. Detrás dessas afirmações se pode ver a ação direta de Deus, essa mudança de sentimento leva Francisco à conversão”.

“Louvores ao Deus altíssimo” “– Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais maravilhas. Vós sois o Forte. Vós sois o Grande. Vós sois o Altíssimo. Mal podemos imaginar como uma pessoa que tinha acabado de passar por tão tremenda experiência conseguiu escrever alguma coisa sobre Deus. os louvores são puros e diretos. A palavra louvar nem é usada. São Francisco parece fazer uma ladainha sem respostas. Algumas das qualidades de Deus vão brotando do coração do homem marcado pelas chagas de Jesus.

2.3. A Experiência Mística de Francisco


Encontramos poucas palavras como contemplação, êxtase, mística, gozo …, próprios da terminologia mística, nos escritos de São Francisco, o que pode nos causar muito espanto! Todavia, encontramos em trecho das admoestações que explicam a pouca referência a vida mística:

“Bem-aventurado o servo que “entesoura no céu” (Mt6-20) os bens que o Senhor lhe concede e não procura manifestá-los ao mundo na esperança de ser recompensado, pois o próprio Altíssimo manifestará as suas obras a todos quantos lhe aprouver. Bem-aventurado o servo que guarda em seu coração os segredos do Senhor.

A experiência mística é muito intima e pessoal entre o homem e Deus, tal experiência Francisco sempre desejou conservar em seu coração como um segredo de Deus.

Os biógrafos nos atestam que Francisco quis esconder sua experiência com Deus, quando relatou como se reservou de mostrar os estigmas: “Não podemos dexzar de contar quanto encobriu e com quanto cuidado procurou esconder os gloriosos sinais do Crucificado. “O cristão de amanhã será um místico,ou não será nada!” (K. Rahner)

2.4. Como Poderíamos Concluir?
3. BIBLIOGRAFIA

1. SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Escritos e Biografias de São Francisco de xxxAssis. Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano. xxxPetrópoles – RJ. Vozes & CEFEPAL. ed 4, 1986
2. KLOPPENBURG, B. et al. Compêndio V. II. Decreto Perfectae Caritatis. XXXPetrópolis – RJ. Vozes. 1980, n 1216 à 1283.
3. LECLERC, E. Sabedoria dum Pobre. Editions Franciscaines. Paris. Trad. XXXMaria da Ssma Trindade C. v. 4, 1975.
4. CUADERNOS FRANCISCANOS. Mística Franciscana. Ano XXXVII, n 142. XXXAbril/Junio 2003. CEFEPAL – Chile.
5. CORRÊA PEDROSO, F. J. C. Rezemos com São Francisco e Santa Clara. XXXCentro Franciscano de Espiritualidade. Piracicaba – 1996.
6. Bíblia Sagrada. Trad. Centro Bíblico Católico. AVE MARIA. São Paulo – xxxSP. XXXed 35, 1982

Quadernos Franciscanos. Mística p.75


Cf Celano


Leclerc, E. introdução


Adm 6


Cf 5Ct 3


Quadernos Franciscanos p 86


cf. TC 6-7; 1C 6-7 p 89


Cf Tc 21-24; 2C 12-14


teilhard de Chardin


cf. AVE MARIA, Mt. 13, 17


cf. 2C 7


cf. 1C 17


cf. CEFEPAL 89


cf. Ep 100; 2C 113; LP 83


cf. Test. 28, 1 p. 167


cf. Pedroso p. 12


cf. Adm 28 p. 70


cf. 2C 135

http://www.capuchinhosprsc.org.br/velloso/textos/vida_mistica_de_sa...



ORAÇÕES DE SÃO FRANCISCO




Cântico ao Irmão Sol (Louvor das Criaturas)




Esta oração de agradecimento foi escrita por São Francisco de Assis, já muito adoentado e prestes a morrer. Depois arranjou uma música e ensinou os irmãos a cantarem.


Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.

Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.

E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e jovial
E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

-- São Francisco de Assis, abril de 1224 (século XIII)





A Benção de São Francisco



O pequeno pergaminho de 14 x 10 cm, dado por Francisco a Frei Leão, contém dois textos: de um lado a oração Louvores de Deus e do outro a Bênção a Frei Leão, seu fiel companheiro:

O Senhor te abençoe e te guarde,
Mostre a ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
Volte para ti o seu olhar
e te dê a paz.

Embaixo do escrito, Frei Leão acrescentou de próprio punho e com bela caligrafia em tinta vermelha: “O bem-aventurado Francisco escreveu de próprio punho esta bênção para mim, Frei Leão”.- See more at: http://www.franciscanos.org.br/?page_id=3126#sthash.y9ULrnHy.dpuf