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quarta-feira, 9 de abril de 2014

AS VELAS:


AS VELAS!

A vela é, com certeza, um dos símbolos mais representativos da Umbanda.
Ela está presente no Congá, nos Pontos Riscados, nas oferendas e
em quase todos os trabalhos de magia.
Quando um umbandista acende uma vela, mal sabe que está abrindo para sua mente uma porta interdimensional, onde sua mente consciente nem
sonha com a força de seus poderes mentais.
A vela funciona na mente das pessoas como um código mental.
Os estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na
verdade, a fogueira interior de cada um, despertando a lembrança de um
passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do fogo,
tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas.
A vela desperta nas pessoas que acreditam em sua força mágica uma forte sensação de poder. Ela funciona como uma alavanca psíquica,
despertando os poderes extra-sensoriais em estado latente.
Uma das várias razões da influência mística da vela na psique das pessoas,
é a sensação de que ela, através de sua chama, parece ter vida própria.
Embora, na verdade, saibamos, através do ocultismo, que o fogo possui
uma energia conhecida como espíritos do fogo ou salamandras.
Muitos umbandistas, acendem velas para seus Guias de forma automática,
num ritual mecânico, sem nenhuma concentração.
É preciso muita concentração e respeito ao acender uma vela,
pois a energia emitida pela mente do médium irá englobar a energia do fogo
e, juntas, irão vibrar no espaço cósmico, para atender a razão da
queima dessa vela.
Sabemos que a vida gera calor e que a morte traz o frio.
Sendo a chama da vela cheia de calor, ela tem um amplo sentido de vida, despertando nas pessoas a esperança, a fé e o amor.
No ritual da magia, o mago entra em contato com seu mundo inconsciente, depositário de suas forças mentais, onde irão ser utilizadas para que
alcancem seus propósitos iniciais.
Qualquer pessoa que acender uma vela, com fé, está nesse momento
realizando um ritual mágico e, conseqüentemente, está sendo um mago.
Se uma pessoa usa suas forças mentais com a ajuda da magia das velas,
no sentido de ajudar alguém, irá receber em troca uma energia positiva;
mas, se inverter o fluxo das energias psíquicas, utilizando-as para prejudicar qualquer pessoa, o retorno será infalível, e as energias de retorno são
sempre mais fortes, pois voltam acrescidas da energia de quem as recebeu.
Infeliz daquele que, na ânsia de destruir seus inimigos, acendem velas com formatos de sapo, de diabo, de caveira, de caixão, etc.,
assumindo um terrível compromisso cármico com os senhores do destino.
Todos os nossos pensamentos, palavras e atos estão sendo gravados
em nosso inconciente e ninguém fica impune junto à justiça divina.
Voltaremos ao planeta Terra, quantas encarnações forem precisas,
para expiar nossas dívidas com o passado.
Por outro lado, feliz daquele que lembra de acender uma vela com o
coração cheio de amor para o anjo da guarda de seu inimigo,
perdoando-o por sua insensatez, pois irá criar ao seu redor um campo
vibratório de harmonia cósmica, elevando suas vibrações superiores.
Ao acender velas para as almas, para o anjo da guarda, os pretos-velhos,
caboclos, para a firmeza de pontos, Congá, para um santo de sua preferência
ou como oferenda aos Orixás, é importante que o umbandista saiba que,
a vela é muito mais para quem acende, do que para quem está sendo acesa,
tendo a mesma conotação do provérbio popular que diz:
"A mão de quem dá uma flor, fica mais perfumada do que a de quem a recebe."
A intenção de acender uma vela gera uma energia
mental no cérebro da pessoa. Essa energia é que a entidade espiritual,
irá captar em seu campo vibratório.
Assim, a quantidade de velas não influirá no valor do trabalho;
a influencia se fará diretamente na mente da pessoa que está
acendendo as velas, no sentido de aumentar ou não o grau da intenção.
Desta forma, é inútil acreditar que podemos comprar favores de uma
entidade negociando com uma maior ou menor de velas acesas.
Os espíritos captam em primeiro lugar as vibrações de nossos sentimentos,
quer acendamos velas ou não.
Daí ser melhor ouvir uma das máximas de Jesus que diz:
“Antes de fazer sua oferenda, procure conciliar-se com seu irmão.”
Não é conveniente, ao encontrar uma vela acesa no portão do cemitério,
nas encruzilhadas, embaixo de uma árvore, ao lado de uma oferenda,
apagá-la por brincadeira ou por outra razão.
Devemos respeitar a fé das pessoas.
Quem assim o cometer, deve ter em mente, que poderá acarretar
sérios problemas com esta atitude, de ordem espiritual,
precisamos respeitar o sentimento de religiosidade das pessoas,
principalmente quando acender uma vela faz parte desse sentimento.

VELAS QUEBRADAS OU USADAS
Nos trabalhos de Umbanda existe uma grande
preocupação com o uso de velas virgens, ou que não estejam quebradas.
A vela virgem esta isenta da magnetização de uma vela usada anteriormente evitando assim um choque de energias, que geralmente anula
o efeito do trabalho de magia.
No caso da vela quebrada acredita-se que um trabalho
perfeito precisa de instrumentos perfeitos. Se o trabalho obtiver sucesso,
o detalhe da vela quebrada não será notado: mas, se falhar, será tido como principal fator de seu fracasso o fato de a vela estar quebrada.

FÓSFORO OU ISQUEIRO
Em muitos Terreiros, existe uma recomendação, para só se acenderem
velas com palitos de fósforos, evitando acendê-las com isqueiro
ou em outra vela acesa.
Normalmente, os Terreiros fazem uso de pólvora, chamada de fundanga,
nos trabalhos de descarrego.
O enxofre que a pólvora contém, também está presente nos palitos de fósforo.
Ao entrar em combustão, a chama repentina, dentro de um ambiente místico, provoca uma reação psicológica muito eficiente, além de alterar
momentaneamente a atmosfera ao seu redor,
devido à sua composição química, em contato com o ar.
A mente do médium capta essas vibrações, que funciona como um
comando mental, autorizando-a a aumentar seu próprio campo vibratório, promovendo desta forma uma limpeza psíquica no ambiente.
Não é a pólvora que faz a limpeza, mas a mente do médium,
se ele conseguir ativá-la, para este fim.

VELA DE SETE DIAS
Na Umbanda, alguns médiuns ficam em dúvida sobre se a vela
de sete dias, tem a mesma eficiência de sete velas normais.
Sabemos de acordo com a psicologia, que um comportamento pode
ser modificado através do reforço.
No fato de se acender uma vela isoladamente não há nenhum tipo de
reforço que se baseia na repetição.
Assim, ao acender uma vela durante sete dias, as pessoas são
reforçadas diariamente em sua fé e, repetindo os pedidos,
dentro desse ritual de magia, ficam realmente com maiores
probabilidades de despertar a própria mente e alcançar os seus propósitos.

MEDITAÇÃO
Para trabalhos de meditação o uso das velas é excelente pois,
além da diminuição dos estímulos visuais na semi-escuridão, força a atenção
para a chama da vela, aumentando a capacidade de concentração.
O contraste do claro-escuro, contribui para lembrar as pessoas da
necessidade de uma iluminação interior.

CORES
Na Umbanda, o uso da vela branca é o mais freqüente, devido à sua
representação como símbolo da pureza.
A cor branca na Umbanda é a cor de Oxalá. Daí a razão do uso de velas
brancas na maioria dos rituais de magia, dentro da associação da pureza/Oxalá.

LEMBRETES:
Não recomendamos aos Umbandistas fazerem velas com restos de
outras velas, seja qual for o motivo, pois as conseqüências são imprevisíveis.
Com a magia não devemos nos arriscar; ou temos certeza, ou não a realizamos.
Os restos de velas estão impregnados das energias mentais de quem as acendeu. Aproveitar esses restos é o mesmo que querer aproveitar os restos dessas energias; como não sabemos com qual intenção as velas foram acesas,
haverá fatalmente um choque entre diversas energias.

CONSELHOS ÚTEIS A RESPEITO DAS VELAS!
Se precisar apagar a vela que esteja sendo usada ritualisticamente,
JAMAIS o faça soprando a vela;
velas de ritual só podem ser apagadas com abafador ou com os dedos,
jamais sopre essas velas.
A vela deve ser muito bem fixada, se não tiver uma base grande.
Especialmente no caso das cilíndricas, é
importante fixá-las, para que não caiam;
assim, use a cêra dela mesma para fixar, mesmo que esteja em candelabro. Dependendo do tamanho, é interessante colocá-la dentro de um copo
ou de um vidro refratário, COM UM POUQUINHO D’ÁGUA NO FUNDO,
para que a parafina não grude: havendo água no fundo (só um pouco),
o que sobrar da parafina sai inteiro, sem grudar, mas sem água você só vai conseguir limpar o copo com água fervendo, porque gruda mesmo.
No comércio, há vidros especiais para velas de sete dias e outros tipos.
Às vezes acontece (com qualquer tipo de vela) que, à medida em que ela vai
se consumindo a parte já queimada do pavio vai se acumulando
junto à chama, fazendo com que esta vá ficando muito forte e intensa,
o que faz a vela queimar depressa demais e se esparramar, por isso é aconselhável, quando isso acontecer, cortar com uma tesoura essa
parte preta do pavio já queimado.
Por precaução, especialmente nas atividades que vão requerer várias velas simultaneamente, é recomendável que se disponha de meios
para enfrentar alguma provável emergência.
Assim, aconselha-se que sempre se possa dispor de água suficiente para
alguma eventualidade, ou então uma maneira rápida de abafar.
As velas de boa qualidade não podem ser tortas, terem rachaduras,
bolhas e nem pavio muito fino, se possível as velas tem de vir dentro de
caixas e não soltas como as de quilo;
as velas de quilos elas ficam expostas ao vento e as mãos alheias, estão
sempre machucadas, como são velas que não passam por um padrão
de qualidade elas podem conter materias impróprio pra combustão,
assim como pode ter bolhas internas invisíveis a olhos nu.
Os materias empregados são em geral anilina ou giz-de-cêra,
o giz-de-cêra, dá a cor desejada, porém influi seriamente na combustão da parafina, quanto mais próximo da transparência,
mais haverá pureza na parafina, portanto dêem preferência às velas com a intensidade de cor mais amena (digamos mais pálidas),
as velas que tem cores fortes deve-se verificar o pavio.
Velas que não acende prontamente - JOGUE FORA A VELA,
ELA NÃO PRESTA, É UMA VELA VELHA QUE FICOU EXPOSTA
MUITO TEMPO A SUJEIRAS.
Procure sempre pensar na segurança em primeiro lugar, nunca deixe crianças manusear velas acesas ou fósforos, nunca coloque as velas sobre
ou próximos de objetos comburentes como madeira, panos e botijões de gás,
nunca acenda uma vela e saia de casa pois nunca sabemos se um acidente poderá ocorrer.
Chegaremos em um momento na Umbanda que o homem deverá estar
plenamente consciente de que sua força mental é a sua grande aliada e nunca
a sua inimiga. Deverá libertar-se gradativamente dos valores exteriores
criados por sua mente e valorizar-se mais. Seu grande desafio é superar a si mesmo. Em vez de acender uma vela, deverá acender sua chama interior
e tornar-se um iluminado e, com o brilho dessa chama sagrada,
mostrar o caminho aos seus irmãos.

Fonte: Livro A Umbanda do III Milênio, Túlio Alves Ferreira, Editora Pensamento.