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domingo, 4 de janeiro de 2015

AS GUIAS, BRAJÁS, FIOS E COLARES AFRICANOS POR CLAUDIA KRINDGES........



AS GUIAS, BRAJÁS, FIOS E COLARES AFRICANOS!

África, um país gigante, enigmático, complexo e extremamente místico.
Onde a riqueza de um enorme diamante como o Promessa do Lesoto de 603 quilates, compete com a pobreza de adultos e crianças que morrem de fome
à vista do mundo. Problemas sociais à parte, a verdade é que a riqueza de
sua cultura é incontestável.
E já que as roupas e acessórios embarcaram nessa “viagem”, as jóias não
podiam ficar para trás. A influência que chega é forte e linda. Vale a pena conhecermos um pouco mais, a respeito dos adornos e jóias africanas, assim como suas crenças e superstições.
Quando falamos em África, muitas imagens vêm à mente. Animais, cores
fortes, calor.... Mas os Orixás, as Yás, o misticismo, não podem faltar.
Nas religiões de origem africana os sentidos convivem em harmonia com o sagrado. Movimentos, gestos, formas, cores, sabores, odores e indumentária
são componentes fundamentais nos diversos rituais. Não há distanciamento
entre o divino e o humano, como em diversas outras religiões.
As jóias e objetos de adorno estão fortemente presentes na cultura africana.

COLARES: vários são confeccionados em metal. Com elos, tiras ou outros formatos. Eles são chamados de “guias” e mais usados entre os adeptos da Umbanda. Levam também um símbolo, que pode ser uma estrela, um
machado, santos populares entre outros. Alguns deles são ainda enfeitados
de contas vermelhas, pretas e brancas. São objetos de proteção para o corpo.
Histórias antigas contam que o correntão de elos de ouro usado pelas escravas, também chamado de "correntão cachoeirano", era fruto de muitas noites de
amor com os senhores portugueses.
Conta-se que enfeitiçavam os homens para que lhes dessem suas alianças
em troca dos favores sexuais. Cada elo era uma aliança portuguesa.

FIOS DE CONTA: estrela principal das peças de adorno africanas. É a
designação de tudo o que passe por um fio, com o objetivo de envolver o
corpo. Os famosos “fios de contas” são muito utilizados. Seu sentido é fundamentalmente religioso. São contas enfiadas, originalmente,
em palha-da-costa. Atualmente são usados os fios de náilon, cordonê ou
outros. Seu colorido é fascinante. Podem representar uma hierarquia; um
rito de passagem; identificar deuses, atividade desenvolvida ou mesmo
nações. Podem ser encontradas em diversos materiais, mais e menos
nobres, de acordo com a situação financeira de quem o usa; mas a mais
famosa e conhecida é sem dúvida a miçanga. Essa conta, também é usada
em outros trabalhos como o tear, que apresenta desenhos coloridos muito atraentes e significativos.
O fio de contas marca um compromisso cultural e ético entre o ser humano
e o divino. É canal de comunicação entre o homem e seu deus tutelar.
Também chamados de “colares litúrgicos”.
O relacionamento estabelecido com o mundo “mágico” só é possível enquanto
o indivíduo integra uma nação, uma tribo. Os fios de conta, também se
prestam a essa finalidade, à medida em que associam esse indivíduo a um
grupo, à um Orixá.

DILOGUNS: fios múltiplos. Conjunto de 7, 14 e 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica).

BRAJÁS OU IBAJÁS: longos fios montados de dois em dois, em pares
opostos. Podem ser usados a tiracolo e cruzando o peito e as costas. É a simbologia da inter-relação do direito com esquerdo, masculino e feminino,
passado e presente. Quem usa esse tipo de colar é um descendente dessa
“união”. E a cor, é um dos mais importantes elementos a “identificar” um fio
de contas. Não é qualquer pessoa que pode montar o fio de contas;
ele(a) precisa ter domínio sobre toda a simbologia, conhecê-la profundamente
e, principalmente, ser iniciado(a) durante um período especial chamado
reclusão do roncó, destinado à feitura do santo.
Após o ato da montagem dos fios, eles passam por rituais próprios para que
sejam sacralizados. As contas devem ser imersas numa bacia nova, com
água. Folhas consagradas ao santo específico são trituradas com as mãos.
Em seguida, as contas são lavadas com sabão-da-costa. As contas estão purificadas. Cabe ao dono(a) conservá-las em uma vasilha de barro, quando
não estiverem no corpo. De tempos em tempos, é necessário purificar
novamente as contas.
Além das contas, muitas vezes podem ser vistas outras peças como a figa,
o oxê (machado duplo), dente, peixe, moeda, búzio, patuá, ofá (arco e flecha), esporão, pomba do Divino Espírito Santo, entre outros.
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Os mais valorizados são os naturais, “verdadeiros”, no entanto a situação econômica obriga o uso de materiais alternativos e sintéticos. Eles são
permitidos nos cultos, pois sua principal função aí, a de simbolizar o divino,
está devidamente adequado visto que as cores são rigorosamente obedecidas.
Podemos ver o uso de vidro, massas, búzios, metais, marfim, chifre, madeira, cerâmica, coral entre outros. Mesmo os materiais reciclados estão ganhando espaço no Culto africano. Materiais nobres, como as bolas de filigranas,
de origem luso-muçulmanas, são patrimônio das africanas destinado a seus descendentes e amigos queridos. A impressão é de que, não apenas o valor financeiro é levado em conta, mas também a crença numa “energia” que fica
nas peças e que possa ser “distribuída”.
Bastante conhecidas, são as contas com que são feitos os lagdibás, de chifre
ou casca de coco, sempre na cor preta.
A vida pulsa, em cada pedacinho da África. Energia pura, simples, das
entranhas da terra.

GUIAS: colares feitos com miçanças coloridas, que identificam a entidade da
Umbanda ou Orixá da pessoa. Não se pode montar uma guia só porque acha bonito, ou porque todos usam, ou porque você acha que deva usar.
Nas lojas especializadas, encontram-se guias prontas dos mais variados
modelos, mas existem casos em que a entidade pede para que você monte
a guia pedida.

PORQUÊ?
A guia é uma peça “benta” com força e irradiação para nos proteger e
aumentar nossa força, nossa vibração e etc. São ritualisticamente preparadas,
ou seja, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam.
Geralmente, quando uma entidade pede para seu filho montar a sua Guia, ela
vai estar presente naquele momento, ou para dar orientações na montagem
por intuição, ou para ver se o filho realmente tem o devido respeito pela
religião (objetos, entidades, rituais e etc.) ou por vários outros motivos como,
por exemplo, testes de fé, de paciência, pois tem vezes que a guia se quebra várias vezes antes de ficar pronta, ou às vezes a entidade está
desenvolvendo sua mediunidade através das intuições e muito mais.
Por isso, para montar uma guia, deve-se estar tranqüilo, sem agitação
externa e sem preocupações, enfim trabalhando, meditando e se conectando
com seus Guias espirituais.
As guias, depois de prontas ou compradas devem ser descarregadas e
cruzadas (benzidas). Lembre-se, se a guia não foi cruzada, a mesma não
terá nenhum valor.

Na minha humilde opinião, as pessoas poderiam aprender a ter fé e
confiança nas Entidades e em seus Orixás, para se sentirem protegidas.
Simbologia é uma coisa, "muleta psicológica" é outra. Com fé, podemos tudo!
FONTE: CLAUDIA KRINDGES - FACEBOOK