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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PAI JOAQUIM FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DE OUSARMOS:

 Pai Joaquim fala sobre a importância de OUSARMOS.

Para começarmos nossa conversa de hoje, gostaria de fazer uma pergunta: qual a responsabilidade do espírito? Qual a responsabilidade que o espírito assume ao encarnar?

A nossa responsabilidade como encarnado é a de promover a reforma íntima. Todos os espíritos que estão ligados a uma consciência material só se encontram neste estágio da sua existência espiritual porque assumiram o compromisso de buscar a elevação espiritual através da reforma íntima.

Se isto é verdade, é necessário, então, que se faça mais uma pergunta: o que é preciso para promover a reforma íntima? Do que precisa um espírito para honrar o compromisso assumido com Deus e com a espiritualidade antes da encarnação? Será que apenas o desejo de fazê-la é suficiente?

O ser humanizado pode ter muita vontade de fazer, mas nunca chegar a realizar, pois a vontade precisa se transformar em Realidade. Não basta apenas ter vontade: é preciso realização.

A partir do momento que o ser humanizado compreende a responsabilidade assumida antes da encarnação entende a necessidade da realização. Mas, só compreender não adianta, pois ele pode no primeiro obstáculo desistir.

Você pode ter vontade de reformar-se, pode desejar ardentemente elevar-se, mas se o desejo não se transformar em prática nada será conseguido. Só que para que esta prática ocorra há um elemento que é fundamental e sem ele nada se consegue em termos de elevação espiritual.

Claro, que o primeiro mandamento deixado por Cristo (amar a Deus sobre todas as coisas) é fundamental, mas o ser humanizado pode até amar ao Pai, mas na primeira adversidade estancar a prática da reforma íntima. Claro que existem muitos outros fatores tais como vontade, perseverança, afinco e outros que são importantes, mas um é fundamental.

Para que você promova a sua reforma íntima, ou seja, alcance a consciência espiritual – ter valores (verdades) na memória condizentes com a Realidade espiritual – é preciso que você ouse.

A ousadia é uma característica fundamental de todos aqueles que conseguiram promover a sua reforma íntima, ou seja, conseguiram eliminar a consciência material e se fundiram com Deus.

A promoção da reforma íntima por parte de um ser encarnado, acima de tudo, é um ato de ousadia. É necessário coragem para ousar, mas é preciso ousar nesta “vida”, pois sem a ousadia não se realiza nada.

Qual o contrário de ousar? Acomodar-se. E o que é acomodar-se para um espírito que assumiu a responsabilidade de executar a sua elevação espiritual? É viver como a humanidade vive, perpetuar a sua ação dentro dos papéis planetários guiados pelas verdades da consciência terrestre.

NOTA: Papéis planetários – Diz-se das funções que o espírito vivencia durante a vida carnal: pai, mãe, filho, professor, médico, etc.

A acomodação se dá quando, mesmo de posse dos ensinamentos deixados pelos mestres, o ser humanizado continua vivendo como todo resto da humanidade, ou seja, continua balizando a sua existência dentro dos códigos de normas e comportamento impostos pela sociedade.

Isto é acomodação e com esta postura nenhum ser humanizado realiza a sua reforma íntima. De nada adianta se conhecer profundamente os ensinamentos trazidos pelos enviados de Deus, se o espírito não ousar colocá-los em prática indo contra a rotina da humanidade, jamais conseguirá realizar aquilo que se comprometeu em fazer.

Para que você realize a sua elevação espiritual é preciso que vá além das regras societárias do planeta que, afinal de contas, preservam a humanidade do ser e não visam à espiritualização deste. Por isto, é preciso ir além das regras das sociedades.

É preciso ir além dos preconceitos, das críticas e de todas as verdades pré-estabelecidas. É preciso ousar ir contra os sistemas pré-estabelecidos que há milhares de anos servem ao ser humano, ou seja, aprisionam o espírito na busca do bem material (as paixões e o prazer oriundo da satisfação dos desejos).

Sem a ousadia de buscar reformar a sua vida a partir de novos parâmetros libertando-se da escravidão da mesmice humana que ocorre há séculos, você não vai conseguir realizar aquilo que se comprometeu. Ficará preso no igual a que todo mundo faz e quem caminha igual chega no mesmo fim do outro.

Portanto, ousar ser diferente é fundamental para a reforma íntima.

O que quer dizer o ensinamento de Cristo a respeito de oferecer a outra face? É ousar reagir de um modo diferente aos acontecimentos. Ousar não brigar com quem briga com você, quando a sociedade espera que “reaja à altura” a agressão sofrida.

É ousar ser taxado de bobo, de idiota por não reagir. É ousar “perder” aparentemente alguma coisa, mesmo que a sociedade lhe cobre que você deve ganhar sempre.

Sem a ousadia, ou seja, sem uma ação diferente da normalidade, do padrão pré-estabelecido e esperado pela sociedade, você não consegue realizar a sua reforma íntima.

Digo isto porque o que a sociedade espera e cobra dos seres humanos é revidar quando agredido. Quando ele não reage dentro dos padrões, é criticado, injuriado e acusado de “não saber viver”. Portanto, para poder se reagir de uma forma diferente é necessário ousar, pois a sociedade lhe cobrará a postura e você que busca a elevação espiritual não poderá se ofender com isto.

Esta não ofensa com a reação da sociedade terá que nascer da consciência de que se não ousar fazer diferente, jamais conseguirá aquilo a que se propôs, porque estará preso no mesmo caminho daqueles que não conseguem. Conscientizando-se da necessidade da ousadia, você poderá ir contra os padrões, mas sem isto, sofrerá no momento que for caluniado e nada terá realizado.

É por causa do medo de ousar, ou seja, por causa da acomodação a que se submetem os espíritos encarnados, que, quando conversamos sobre os ensinamentos deixados pelos mestres a respeito da família, por exemplo, as pessoas dizem: “ah, mas eu posso alcançar a evolução espiritual mantendo os meus vínculos familiares”. Não pode.

Todos os mestres da humanidade (Cristo, Buda, Krishna, Lao Tse), foram unânimes em questionar os padrões com que são vivenciados os laços familiares pela humanidade. Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? São todos aqueles que fazem a vontade de Deus.

Isto ocorre porque quando se fala em evolução espiritual, se fala em universalização enquanto que o padrão do vínculo familiar vivenciado no planeta é baseado na individualização: meu, minha. Ninguém quer destruir as famílias, mas é preciso que o ser humanizado aprenda a conviver neste núcleo dentro do amor universal (amar a todos) para alcançar a elevação espiritual.

Portanto, se você não ousar ir além do padrão “família” que é conhecido no planeta terra abolindo o “meu” pelo universal, não consegue elevar-se.

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Só pode ser meu seguidor quem pega a sua cruz e me segue. Quem se esforçar para conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la” (Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículos 37 a 39).

Sem a ousadia nenhum espírito humanizado consegue a sua elevação espiritual porque não coloca em prática os mandamentos que Cristo deixou.

Para se cumprir o primeiro e o segundo mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo) que o mestre nazareno classificou como aquilo que efetivamente conduz à elevação espiritual é preciso ousar, pois só com ousadia o ser humanizado poderá amar sem restrições.

Amar sem restrições é não prever o que acontecerá pela sua ousadia. Um amor sem esperar nada, sem exigir nada em troca, sem querer “ganhar” por amar.

Ousar viver a vida espiritual na carne é entregar-se a uma ação diferentemente da forma como os seres humanizados se entregam, ou seja, sem querer programar resultados para esta ação. Os seres humanos não amam o próximo e a Deus, porque participam dos acontecimentos dentro dos padrões humanos, ou seja, esperando “ganhar” alguma coisa com o que estão praticando.

Quem ousa não se preocupa se vai “ganhar” ou “perder”, se vai ser considerado “bom” ou “mal”, “certo” ou “errado”, se vai alcançar o que quer ou não vai realizar os seus desejos. Ousar é atirar-se em um “vazio”, ou seja, participar da ação sem previsão de acontecimentos futuros. Isto denota a fé em Deus, ou seja, o amor a Deus sobre todas as coisas.

A ousadia necessária para se amar a Deus sobre todas as coisas está descrita com perfeição na história do alpinista que morreu quando estava escalando uma montanha de neve. Ele caiu da montanha onde estava e ficou preso por uma corda à beira de um precipício balançando-se no ar.

Já era noite e não conseguia se ver nada e por isto o alpinista não conseguia enxergar a que distância estava do platô abaixo dele. Ele ficou se segurando na corda e balançando no vazio sem saber se poderia largá-la ou não.

No desespero apelo para o Pai: “Senhor, me ajude!”. Deus ouviu e respondeu: “Largue a corda!”. No dia seguinte, o alpinista foi encontrado morto preso à corda, balançando no ar, mas a menos de um metro de um platô que poderia ter amortecido sua queda.

Ousar é largar a corda sem olhar para baixo. É atender ao apelo divino sem querer saber concretamente se há algo para lhe proteger ou lhe amparar. É atirar-se no escuro, ou seja, sem saber o que acontecerá no futuro, pela confiança irrestrita que sente por Deus.

Se você precisa saber o que vai lhe acontecerá quando largar a corda (os padrões da vida carnal) não ousou nada: atirou-se com a segurança material, confiou em si e em suas percepções, ou seja, continuou seguindo o padrão humano de agir.

A reforma íntima é um salto para o escuro, uma ação que deve ser praticada sem se ter certeza de onde irá aterrissar.

Todos aqueles que estão na busca da elevação espiritual com certeza já ouviram falar da vida espiritual, no “céu” pregado pelas diversas religiões (paraíso, cidades espirituais, tenda árabe, palácios suntuosos). Sabem que se conseguirem realizar a sua reforma íntima viverão nestes lugares.

No entanto, apesar disto nenhum espírito humanizado conhece realmente (tem a percepção material) destes lugares. Ninguém se lembra de como era a sua existência nestes lugares antes da encarnação.

Por mais que leiam os romances espirituais ou ouçam as belas palavras dos pastores e padres descrevendo o “céu”, a compreensão sobre o futuro depois do desencarne jamais será concreta. Ela estará sempre no campo do ilusório, do não lógico material.

Isto é necessário porque só se alcançam estes locais, ou seja, se consegue a elevação espiritual, com a ousadia. O espírito só gozará do banquete que Deus convida cada um se ousar ir além da lógica material.

Por mais que estude, por mais que busque entender a existência espiritual, o homem jamais conseguirá a comprovação material das coisas. Ele terá sempre que se entregar a uma idéia, a algo abstrato para realizar a sua ascensão aos “céus”. Enquanto houver a lógica e a razão material como guia, o espírito humanizado não conseguirá chegar a lugar nenhum.

Portanto, basicamente a elevação espiritual é um salto no escuro, pois você se atira a um processo (reforma íntima) para alcançar um “lugar” que não sabe qual é. Vive querendo reformar-se sem saber onde vai chegar e nem o que acontecerá contigo.

Ela não poder ser conseguida por meio lógicos e racionais (vou fazer o que os mestres ensinaram para que aconteça isto comigo) porque assim continuará preso na cordinha, esperando saber o que está embaixo ao invés de soltar a mão.

Ousar: isto é o fundamental para podermos aproveitar o portal que se abre na espiritualidade com o objetivo energizar cada um na sua religação com Deus.

NOTA: Refere-se ao portal citado na palestra “Natal”, pois esta palestra foi realizada logo depois daquela.

Para que cada um possa aproveitar melhor o portal que se abre na comemoração natalina é preciso aprender a ousar, aprender a agir além dos padrões humanos, sem medo do futuro e sem querer projetar qualquer resultado.

A ousadia em amar a Deus acima de todas as coisas não pode prever resultados por esta ação. Nem mesmo um “seja o que Deus quiser”, pois ainda assim estaríamos fazendo uma previsão de futuro. Quem ousa não quer saber o que acontecerá, mas apenas louva a Deus e entrega-se a Ele com confiança irrestrita.

Aquele que se entrega ao Pai o faz sem condição alguma, mas apenas O louva por tudo que Ele faz acontecer. Nem com a condição de que será o que Ele quiser, porque neste caso não houve ousadia, mas uma entrega se garantindo para o futuro.

Isto, portanto, é promover reforma íntima: um ato de ousadia extrema.

Um ato tão extremo que a elevação espiritual se caracteriza em ousar ser feliz quando tudo o que você tem na vida deveria, pelos padrões humanos, lhe fazer sofrer.

Por exemplo, o filho está agonizando no hospital. Esta é uma situação em que os padrões humanos ditam que a pessoa tem que sofrer. Qualquer um faz isso, não? Mas, como o Cristo ensinou: até os ateus fazem isso (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 43 a 48).

Até quem não acredita em Deus, até quem não é religioso sofre numa situação desta. Por que você, que afirma que está procurando elevar-se, ou seja, fundir-se na unidade com Deus, age igual, então?

Você que acredita em Deus e que O busca precisa ousar, ir além do que o ateu faz. Precisa manter a sua paz, a sua serenidade. Nem vou falar que deveria manter a felicidade, pois como você não compreende este estado de espírito, acharia que estou dizendo que deveria contar piadas, ficar dando gargalhadas no hospital enquanto seu filho está agonizando.

A felicidade que eu falo não se representa por gestos, mas é um estado de espírito onde prevalecem à paz e a harmonia interna: isto você que se denomina buscador de Deus deveria ousar ter, mesmo que os padrões da humanidade dissessem ao contrário.

Seria preciso para honrar o seu compromisso assumido antes da encarnação que ousasse não se desesperar, não criticar, não acusar ninguém como responsável pelo que está ocorrendo. Assim você estaria promovendo a reforma íntima.

Esta ousadia necessária à evolução espiritual (manter-se em harmonia, mesmo quando o acontecimento deveria ser vivenciado em desespero) diz também foi ensinado por Cristo.

“Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como os hipócritas, pois eles fazem assim para todos saberem que estão jejuando. Lembrem-se disto: eles já receberam toda a recompensa. Quando vocês jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E Ele, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 , versículo 16 a 18).

Não deixe ninguém ver que você está fazendo jejum, ou seja, que aquele momento não está de acordo com os seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar ser diferente da humanidade, ou seja, reagir aos acontecimentos de uma forma diferente dos padrões pré-estabelecidos pela sociedade.

Um ser humano que perde seu emprego cai em desespero porque não quer largar a corda, ou seja, não confia em Deus. Por causa desta reação padrão (desespero) acusa o governo, a sociedade, o patrão anterior de injusto por ter lhe mandado embora. Reagir assim é fácil: até o ateu faz.

Mas, você que está buscando promover a sua reforma íntima ao passar por um “jejum de emprego”, precisa ousar. O que seria ousar neste caso? Confiar nos ensinamentos que os mestres trouxeram.

“Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam nem com a roupa que precisam para vestirem. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam por aí: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em depósitos. No entanto, o Pai que está no céu dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? Nenhum de vocês pode viver alguns anos mais por se preocupar com isso”.

“E por que vocês estão preocupados com as roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje floresce e amanhã desaparece, queimada no forno. Então, é claro que Deus vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! Portanto,, não fiquem preocupados dizendo: ‘Onde é que eu vou arranjar comida, bebida e roupas?’ Os pagãos estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar nas suas vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer e ele lhes dará todas as outras coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 25 a 34).

Ouse não se desesperar por fé em Deus, por confiança e entrega absoluta no Pai que dá a cada um aquilo que ele precisa e jamais se esquece de alguém. Se neste momento foi o desemprego que ele lhe deu, é porque sabia que era o necessário para a sua caminha em direção a Ele.

Promover a reforma íntima é louvar a Deus pelo desemprego, se é isto que está ocorrendo na sua vida. É entregar-se à situação de desemprego sem viver como a maioria vive durante esta época.

Não estou falando em acomodar-se no desemprego, mas procurar emprego sem desespero, acusações, críticas ou julgamentos, aguardando em paz e harmonia o momento que Deus lhe tornar novamente empregado. Por que digo que isto é a forma de reagir de quem está buscando a elevação espiritual?

Porque quem está buscando a elevação espiritual está buscando ligar-se a Deus acima de todas as coisas para servi-Lo. Quem não vive a elevação espiritual está buscando o prazer material, o serviço ao mundo.

Como Cristo também ensinou:

“um escravo não pode servir dois donos ao mesmo tempo, pois detestará um e gostará do outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 24).

Então, se você que se diz buscador de Deus, em processo de reforma íntima para alcançar a elevação espiritual reage como aqueles que não se preocupam com isto, será que está servindo realmente ao Pai?

É, a característica principal da elevação espiritual é a ousadia, porque até aqueles que assumem a posição de guru (guia espiritual) de alguém precisa ousar. Precisa ousar chegar aqui e dizer tudo diferente do que pregam as doutrinas religiosas.
É preciso ousar chegar aqui e falar completamente diferente de tudo o que você ouviu até hoje em matéria de elevação espiritual. Sabe porquê? Porque o que você ouviu até hoje não resolveu.

Que vantagem leva os padres se eles ainda prometem orar a Deus pela sua saúde material ou pelo fim do seu desemprego? Até um pagão faz isto! “Acalme-se tudo vai dar certo. Você vai sair desta e conseguirá aquilo que quer”. Que vantagem leva os palestrantes dos centros espíritas e os gurus hindus se eles ainda prometem uma vida carnal próspera? Até os pagãos fazem isto! “Tenha fé, tudo se resolverá e você voltará a ter tudo o que quer”.

Se, como guia espiritual de vocês venho aqui e ensino que devemos a amar a Deus sobre todas as coisas, que vantagem eu teria se não lhes ensinasse a ousar viver diferente do padrão humano: a esperança de que seus sonhos e desejos se concretizem?

De nada adiantaria reuni-los para ensiná-los a amar a Deus se ainda colocasse este amor subordinado às verdades humanas, ou seja, servindo à matéria. Por isto preciso ensiná-los a ousar não depender da matéria para ser feliz.

Para fazer isso eu preciso ousar ir contra aquilo que esperam, pois o padrão humano é que os guias espirituais se colocam à disposição da satisfação do prazer humano, ou seja, dão esperanças de felicidade material em troca do amor a Deus.
Eu não falo desta felicidade, mas de outra que está além daquilo que vocês conhecem. E para alcançá-la ensino que é preciso ousar abandonar a busca do prazer como fonte de felicidade.

Até hoje o ensinamento da evolução espiritual, ou seja, o caminho para alcançar o bem celeste, é subordinado aos objetivos da humanidade, às regras e padrões planetários de felicidade. Por isto os religiosos são tão humanos quanto os pagãos.

Quando tomam conhecimento de injustiças sociais (fome, desemprego, sem teto, sem terra), por exemplo, reagem da mesma forma daqueles que não acreditam em Deus. Acusam os poderes constituídos de não cumprirem o seu papel, auxiliam e promovem manifestações de repúdio aos governantes.

Nem parece que eles leram a Bíblia e escutaram o apóstolo Paulo falando do alto de sua compreensão dos ensinamentos de Cristo recebido diretamente do mestre na estrada de Damasco.

“Que todos obedeçam às autoridades. Porque não existe nenhuma autoridade sem permissão de Deus e as que existem foram colocadas por Ele. Assim quem é contra as autoridades é contra o que Deus mandou e os que agem desse modo vão trazer a condenação para si mesmos. Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom e elas o elogiarão. Porque elas estão a serviço de Deus para o bem de vocês. Mas se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades de fato têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo Dele sobre os que fazem o mal. Assim, você deve obedecer às autoridades, não somente por causa do castigo de Deus, mas também por uma questão de consciência” (Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 13, versículos 1 a 25).

Fazer o “mal” é revoltar-se, julgar, criticar, acusar. Fazer o “bem” é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Quem faz o “bem” jamais sofre com o que está acontecendo, porque está ligado ao Supremo e nada afeta esta ligação. Além disto, sofrendo e acusando, você está simplesmente demonstrando na cara o jejum que está fazendo, como já vimos.

É por causa da ousadia de ensinar o amor a Deus além do prazer e satisfação gerados pela subordinação aos padrões humanos que a maioria das coisas que eu falo choca as pessoas. No entanto, isto só ocorre com aqueles que estão acomodados e não querem ousar. Aqueles que não querem fazer a reforma íntima ou que apenas fingem estarem procurando Deus imaginando que com isto possam trapacear com o Pai e conseguir satisfazer-se materialmente.

Não esqueçam aqueles que se dizem buscadores de Deus, mas que não querem ousar largar as suas cordas que Cristo ensinou: de Deus ninguém esconde as suas intenções. Que o Espírito da Verdade ensinou: “Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos? Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular” (Livro dos Espíritos – pergunta 457). Se os espíritos podem conhecer, imaginem Deus!

Portanto, quem não ousa largar sua corda, sua segurança material, no íntimo (intenção), ou seja, submete a sua evolução espiritual aos padrões materiais de felicidade, não consegue iludir a Deus. Pode conseguir iludir a ele mesmo, ao mundo, à sociedade, mas não ilude a Deus.

Este quando sair da carne acusará a Deus, à sociedade e a quem serviu como guia espiritual da sua reforma íntima de não ter ensinado a Verdade que poderia lhe salvar. Já pensaram nisto, senhores guias espirituais da humanidade?

Por isto, comecem vocês também a ousar. Ensinem o ser humano a confiar a subsistência não só ao seu trabalho ou terra, mas a ter fé em Deus que o proverá dentro de sua necessidade, ao invés de conclamar a discórdia incitando-os a rebelarem-se contra a Realidade.

No trabalho do Espiritualismo Ecumênico Universal existe uma característica importante: não dá para brincar de elevação espiritual. Quem nos ouve não pode fingir que está buscando a Deus, porque senão se rebelará contra nós.

Isto porque ousamos sempre desafiar as verdades constituídas para transmitir a Realidade universal sobre os assuntos. Quem está apenas buscando servir-se de Deus, com certeza se choca com nossa ousadia e, para manter-se dentro de seus padrões, nos abandona.

Ousamos, por exemplo, dizer que o aborto não é um assassinato, mas uma ação carmatica. Esta é uma ousadia porque fere todos os padrões estipulados até hoje pela humanidade, inclusive pelos religiosos, ou seja, aqueles que dizem que estão procurando a Deus.

No entanto, se estudamos a Lei do Carma em toda sua profundidade, compreenderemos perfeitamente a sua ação.

“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”.

“851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado”.

“859a. Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram? Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espírito, fizeste a tua escolha”.

“853a. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? Não, não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas. Deus sabe de antemão de que gênero será a morte do homem e muitas vezes o seu Espírito também o sabe, por lhe ter sido revelado, quando escolheu tal ou qual existência.” (O grifo é nosso)

Estas citações foram retiradas de O Livro dos Espíritos..

Ninguém morre antes da hora e disto vocês têm milhares de exemplos: o feto “morre’ no momento que tem que morrer. Deus sabe de antemão o gênero da morte de um homem: Deus sabia que aquele ”homem” morreria do gênero aborto.

Isto tudo porque foi pedido pelo espírito antes da encarnação e nisto se consiste o seu livre arbítrio. Portanto, depois que o exerce, o espírito não pode esquivar-se de viver o momento que ele mesmo programou: ser abortado.

Aí está a verdadeira aplicação da Lei do Carma para o aborto e por crer no ensinamento dos mestres ousamos dizer que esta ação não é um assassinato. No entanto, aqueles que se subordinam aos padrões humanos, mesmo que sejam espíritas ainda condenam os instrumentos (mães) das ações carmaticas pedidas pelos espíritos antes da encarnação e chanceladas por Deus.

Os espíritas conhecem a Lei do Carma, mas aplicam-na para algumas coisas apenas: o que está dentro do padrão humano (verdade) de “bom”. Com isto deixam de dar a esta lei uma de suas maiores características: a universalidade.

Tudo que provêm de Deus é eterno e universal, ou seja, jamais deixou de ser Realidade e serve para todos os elementos do universo. Desta forma a lei do carma serve em todas as circunstâncias, mesmo que estas afetem o desejo humano do espírito encarnado de permanecer “vivo”.

Para se promover a reforma íntima não se pode aplicar os ensinamentos apenas para aquilo que queremos, mas ele também deve alcançar aquilo que não queríamos, que não gostaríamos que ocorresse. Agir assim é subordinar a Lei do Carma que é divina à vontade humana que é transitória e não almeja a integração com Deus.

“Sob a influência das idéias carnais, o homem na Terra só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causa os passageiros sofrimentos terrenos” (O Livro dos Espíritos – comentários de Allan Kardec estampados junto à pergunta 266).

Por conhecermos a felicidade inalterável e eterna é que continuamos ousando combater os padrões pré-estabelecidos, seja pela sociedade ou pelas religiões.

Ousamos dizer que o casamento não é indissolúvel, mas é uma ação carmatica e enquanto for preciso para a ação carmatica será mantido, mas quando isto não mais for necessário como prova para o espírito o rompimento ocorrerá naturalmente, sem que nenhum dos cônjuges possa fazer algo para salvá-lo.

Ousamos falar com os vínculos familiares. Dizemos que “seu filho” nada tem de seu, mas que é um espírito autônomo vivendo provas pedidas por ele mesmo.

Ousamos dizer que mãe não ama filho, mas possui. Pelo apego que os padrões sociais conferem àquela que vivencia o “papel” de mãe o amor universal se torna impossível. A mãe quer ser dona, quer mandar e comandar na existência do espírito autônomo.

Quer livrá-lo dos seus traumas e das suas decepções através de um ilusório comando da vida do filho transformando-a naquilo que ela gostaria que tivesse acontecido com ela. Mesmo aquelas que possuem o conhecimento religioso e sabem que todo espírito é filho de Deus, querem comandar a existência do “filho” imaginando que podem desfazer o que o Pai faz.

Veja bem, ao afirmar que uma mãe não ama o filho, mas o possui, não estamos ofendendo as mães, mas ousando acordar as pessoas para a Realidade: não existe seu filho, mas sim de Deus.

Os “filhos” são espíritos autônomos que, como já vimos viverão um destino traçado por eles antes da encarnação e que é “a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado” enquanto espíritos que são.

É preciso ousar porque somente com ousadia é que se vive à Realidade e sem vivenciá-la não se chega a Deus. Portanto, só quem ousa ir além dos padrões pré-estabelecidos de vivência alcança o Pai, ou seja, promove a sua reforma íntima e alcança a elevação espiritual.

Sem ousar, ou seja, seguindo o caminho normal da humanidade, mantendo os padrões da humanidade, mantendo a lei da humanidade, o espírito encarnado não vai a lugar nenhum, não alcança nada. Por que? Por que se o espírito encarnado mantiver os padrões humanos não chega a lugar nenhum?

Porque não vive a Realidade, a Verdade universal. Estamos embasando todos os nossos comentários com citações para provar que a visão que estamos falando coincide com aquilo que foi ensinado para lhe dizer uma coisa: estamos falando a Verdade.

Não a verdade humana, aquela que leva a realidade humana (sua ciência das coisas) como real, mas aquela que fugindo a estes padrões se escora naquilo que é incompreensível para a humanidade: a Realidade espiritual.

Conhece a Verdade, e a Verdade vos salvará. Este é o ensinamento de Cristo, mas onde encontrar a Verdade?

Se nos guiarmos pelos padrões humanos jamais poderemos chegar à Verdade, pois tudo naquilo que os homens crêem são verdades temporárias (alteram-se com o passar dos anos) e individuais (só servem para determinados povos ou raças).

Quantas verdades já foram alteradas pela sociedade desde quando você nasceu? Se isto ocorreu, elas nunca haviam sido reais e, pela lógica, as de agora também se alterarão futuramente. Só esta rápida análise nos é suficiente para perceber que a verdade humana não é eterna.

Mas e quanto à universalidade, será que as verdades do planeta são universais? Claro que não. Em um lugar as pessoas possuem algumas verdades
comportamentais que não são, necessariamente seguidas pelos outros. Aliás, são sempre contestadas, pois todo mundo se acha dono da verdade.

Portanto a Verdade absoluta (eterna e universal) não se encontra na Terra, mas sim fora, no mundo de Deus, no espiritual. Quem poderia então ensiná-la? Apenas aqueles que vivessem para a eternidade universal sem aprisionamento a efemeridade dos valores materiais, ou seja, os mestres enviados por Deus.

Portanto, se apenas a Verdade trazida pelos mestres pode lhe servir como base para promover a reforma íntima, como se chega a Deus? Qual o caminho para Deus?

“Eu sou o Caminho, a Verdade, a Luz. Ninguém chega a Deus a não ser através de mim”.

Já ouviram esta frase? Quem é este eu da frase? O Cristo. E quem foi o Cristo? Aquele que ousou enfrentar o mundo, que ousou vencer o mundo.

A “vida” de Cristo foi o maior exemplo de existir materialmente em união com Deus. No entanto ela começou numa choupana e não num palácio. Aquele que viveu o maior símbolo de poder, a fé, usava sandália de pescador ou andava descalço mesmo.

Apesar de todo o seu poder dormia não em palácios suntuosos, mas no meio do campo; não se alimentava em faustos banquetes, como as regras humanas levam os atuais “professores da lei” a fazer, com as prostitutas e os cobradores de impostos. Ousou não chamar para si glória de tudo que realizava, mas sempre dizia às pessoas que foi Deus e a fé deles que os salvaram.

Apesar de conhecer e manipular todos os elementos da matéria como se constata na passagem onde anda sobre as águas, ousou se entregar, sem reação, a um exército de três ou quatro legionários armados apenas com espadas e lanças.

E ainda disse para Pedro quando este tentou defendê-lo: “Guarde a sua espada, pois quem usa a espada será morto pela espada. Por acaso você pensa que, se eu pedisse ajuda ao meu Pai, ele não me mandaria logo doze exércitos de anjos? Mas, neste caso, como poderia se cumprir o que as Escrituras Sagradas dizem que é preciso acontecer?” (Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos 52 a 54).

Cristo ousou reagir a tudo o que aconteceu na sua existência carnal de uma forma diferente do que qualquer ser humano reagiria. E como ele é o caminho para se chegar a Deus, podemos entender que é preciso ousar para chegar a Deus. O caminho para chegar a Deus é a ousadia de viver a vida carnal fora dos padrões pré-determinados pela humanidade.

Qual foi o resultado da ousadia de Cristo? Vencer o mundo. Portanto, a sua reforma íntima deve ser vivenciada com a ousadia de vencer os padrões, a obrigatoriedade de reagir de uma determinada forma aos acontecimentos. A elevação espiritual se alcança com a ousadia de lutar contra as verdades que o mundo lhe impõe.

Quando ousando eu falo que não pode ter família, você pensa: “ah, mas se eu não ligar para o meu filho, a vizinha vai dizer que eu não presto como mãe”. Isto é subserviência ao mundo material.

Para se viver as posturas que levam à elevação espiritual é preciso ousar estar acima da crítica, mas também acima do destino do filho. Ou seja, ousar manter-se em equilíbrio frente às pressões externas e internas para que se submeta aos padrões humanos.

Ouse ser como a mãe passarinho: “você já sabe comer sozinho, então, suma…” Liberte-se da ilusória responsabilidade que imagina ter sobre o destino do seu filho e não fique a vida inteira perseguindo-o como um obsessor.

Cristo não teve filho, mas se tivesse jamais interromperia as atividades do filho para poder saber como ele está como Maria fez, não? Deixaria ele viver a sua vida, vivenciar o seu destino, sem estar constantemente perseguindo-o para “cuidar” dele.

É preciso ousar ir além dos padrões pré-estabelecidos sem esperar saber no que sua ousadia resultará. Ousar é arriscar a tentar colocar os ensinamentos em prática, sem medo do que pode resultar desta nova forma de ação.

Nós estudamos a reforma íntima há cinco anos. Muitos já nos ouviram e tiveram contato com nossos ensinamentos. Quando isto ocorrem, elas afirmam: “velho, o que você fala tem lógica. Eu acredito. Mas como será o mundo se colocar em prática tudo isso que está sendo ensinado?”.

Eu não sei: ouse para saber. Eu não posso lhe criar uma consciência do que acontecerá com você depois que promover a reforma íntima, pois se assim o fizesse estaria quebrando o ingrediente necessário para a promoção da elevação espiritual: o salto no escuro com fé.

Se você quer se entregar, mas para isto precisa saber o final da história para analisar se será satisfatório ou não, não houve ousadia nenhuma, não houve o exercício da fé.

Ontem me disseram: “ah, mas se colocarmos tudo isto em prática, não vamos ter o que falar, não teremos mais nada que comentar”. Não sei.

Não sei se você ao conseguir a reforma íntima vai se emudecer ou se não terá mais assuntos para conversar com os outros. Ouse colocar na prática para saber se vão ficar sem assunto.

Talvez tenha assunto para conversar com os outros: não posso garantir. Mas se tiver eu garanto que ele será diferente do hoje. Isto ocorrerá porque as suas conversas surgirão como fruto da sua ousadia em não mais julgar, criticar, observar o próximo.

Enquanto não houver a ousadia de viver de uma forma diferente os assuntos terão que ser sempre os mesmos, pois você só sabe viver com o padrão que a sociedade exige que você viva: os homens conversarão sobre futebol e sexo; as mulheres conversarão sobre casa, filho e moda. Isto é ponto pacífico porque não ousando ir além do normal você só comenta o que o padrão da sociedade quer que comente.

Quando dois homens se encontram, a primeira pergunta é: “você viu o jogo de ontem?”. Ele nem sabe se o outro gosta de futebol ou não, mas como é um homem que está à sua frente sente-se obrigado a falar de “assunto de homem”.

O homem, na visão humana, não pode fugir do padrão pré-estabelecido. Se comentasse sobre roupas, criação de filhos ou limpeza de casa, mesmo que quisesse porque senão o outro poderia achar que ele era efeminado, pois é isto que diz a regra da sociedade.

“Se eu ousar falar sobre o que gosto ou quero, vão achar que eu gosto de homem, então eu prefiro não ousar”. Sofre mantendo um diálogo que não lhe interessa, mas não ousa assumir-se com medo da reprovação da humanidade.

Quantas coisas podem ser resolvidas com uma ousadia, quanto sofrimento pode deixar de existir simplesmente porque você ousa contrariar a lógica humana sem prender-se aos padrões humanos…

Quem conhece o nosso trabalho, os nossos ensinamentos sabe que ousamos sempre. Ensinamos que cada um pode acordar na hora que quer sem se preocupar com o que os outros acham disto e comer na hora em que tem fome realmente, sem se preocupar com o horário da refeição ou o que os outros vão falar de você estar almoçando as cinco horas da tarde.

Muitos dizem que pregamos o anarquismo, a bagunça. Mas se a gente não ousar ir além do certinho, adormece na cadeira porque ainda está com sono e tem problemas estomacais porque comeu antes de haver necessidade. Portanto, não é bagunça que pregamos, mas a vivência com as leis da natureza e não a subordinação aos padrões humanos que querem determinar o que é “certo” de ser feito.

Foi isso que tentei falar neste ciclo de palestras sobre a reforma intima, quando estudamos a Oração de São Francisco, a Hipocrisia, e o Natal. Ousei trazer verdades diferentes das humanas sobre assuntos extremamente conhecidos: caridade, vida santa, o nascimento de Jesus.

O que fazemos em cada palestra é ousar ir além das verdades humanas em cima de um tema, Ousar ultrapassar a visão convencional que satisfaz ao espírito humanizado.

Fazemos isto porque temos como lema ensinar o que é a vida espiritual na carne. Para tanto, temos que ir além da visão humana, pois cada um de vocês são “professores da lei” dentro da visão que passei quando do debate deste tema.

NOTA: Professor da lei – Aquele que sabe o que é “certo” (a sua lei) e quer impô-las aos outros.

Vocês estão acomodados nos padrões materiais e por isto constroem apenas uma realidade em cima dela. No entanto, a Realidade é sempre diferente daquilo que o ser humanizado acredita.

Vou dar um exemplo: uma moça é casada com um rapaz que é acomodado, desligado e preguiçoso e ela é certinha, perfeita, tudo no lugar, tudo na hora certa. Eles moram em uma casa que está situada num terreno muito grande.

Este terreno é totalmente plantado com grama, a qual não é cortada pelo rapaz. Ela, ligada aos padrões humanos (a grama precisa ser aparada) brigava constantemente com ele para cortar, ou seja, para que a sua lei fosse cumprida.

Claro que esta moça não estava vivendo este casamento com aquele determinado homem à toa. Existia ali uma ação carmatica, ou seja, cada espírito escolheu viver com o outro como prova para sua encarnação.

Assistindo às nossas palestras ela foi compreendendo a ação carmatica, ou seja, que ela pediu para viver com o marido do jeito que ele era para desenvolver o amor universal. Compreendeu que brigar não adiantava, pois isto não o levaria a cortar a grama e que somente amá-lo do jeito que ele era poderia auxiliá-la na evolução espiritual.

Por isto parou de brigar, mas não ousou se libertar dos padrões pré-estabelecidos que ela tinha. Imaginou que não brigando, ou seja, amando-o incondicionalmente Deus ia emanar para que ele cortasse a grama. No entanto, como já vimos Deus não se subordina aos padrões humanos e por isto ele continuou não a aparando.

Então ela veio conversar comigo e afirmou que o ensinamento não dava “certo”, pois havia parado de brigar e o marido continuava não cortando. Eu lhe perguntei, então: “qual o problema de grama estar alta?”.

Ela respondeu: “Mas quem pode viver com grama daquele tamanho?”. Eu lhe respondi: “você, ou você está morta? Você não está vivendo com a grama daquele tamanho?”.

Ela respondeu: “estou vivendo”. “Então”, eu disse, “é assim que se vive: da forma que você está vivendo. Antes você vivia com brigas hoje em paz. Estas são as duas formas que pode se viver com a grama alta. Escolha a que você prefere”.

Veja, ela não deixou de sofrer porque parou de brigar, mas continuou se sentido mal do mesmo jeito que antes. Ou seja, ela não ousou em momento algum ao buscar colocar em prática o ensinamento: seja feliz com o mundo do jeito que ele está.

Apesar de conhecer o ensinamento e entendê-lo ela não ousou ir contra o mundo, pensar em aprender a viver com a grama grande, mas colocou-o em prática visando satisfazer à sua materialidade: a satisfação de ver o seu desejo atendido. Ela pôs em prática o ensinamento não objetivando a elevação espiritual, mas achando que com isso resolveria o problema dela: a grama seria cortada.

Se não ousar, não se alcança a elevação espiritual porque a promoção da reforma íntima não é garantia de realização de desejos. “Eu vou promover a reforma íntima, e a partir daí só vai acontecer coisa boa para mim”.

Quem se entrega na busca espiritual com este pensamento não promove nada, pois se elevar é estar acima do “bom” e do “ruim” ditados pelos padrões humanos. É preciso ousar permanecer equânime em todos os momentos: naquele que se gosta e nos que não se gosta do que está acontecendo.

Quem não ousa ir contra o mundo não se eleva. Não ousar ter paciência com quem lhe tira paciência, não ousar buscar a cura sem procurar o médico, não ousar dar amor para quem lhe agrediu, não ousar perdoar aquele que para você é culpado, não leva nenhum espírito a elevar-se.

Falamos na palestra anterior que o natal não é época de árvores enfeitadas, de troca de presentes, de bebedeiras, mas será que você conseguirá ousar no próximo natal e não fazer nada disto? Será que conseguirá ir além da e da fartura de comida e se lembrar do nascimento do Cristo?

Só se você ousar ir além da humanidade, porque ela lhe cobrará que você vivencie o próximo natal dentro dos padrões humanos, principalmente a sua família. “Você só vai ficar rezando, e não vai me dar presentes?”. “Você não vai colocar uma árvore de natal na sua casa? Nós estamos no Natal!”.

Buscar a reforma íntima é, principalmente, ousar não seguir os padrões da Terra, mas ligar-se ao mundo maior, à Realidade: Deus e o mundo espiritual. Mas para isto é preciso ousar ser alvo de críticas e de ser apontado como diferente pelo resto da humanidade sem perder a sua paz e harmonia.

Acho que o que começou como “brincadeirinha” de reforma íntima para você, a partir de agora está se tornando mais sério, não?

Com certeza a sua busca pela reforma íntima já se iniciou há muito tempo atrás quando começou a freqüentar uma igreja, um centro espírita ou de Umbanda ou indo a um templo do evangélico. No entanto, com certeza até agora este trabalho foi realizado pelo prazer de ouvir o que o padre ou o que o pastor falavam, pelo prazer de trabalhar mediunicamente ajudando os outros, pelo prazer de dar uma cesta básica ou uma refeição ao necessitado.

Agora, depois de ler estas linhas, com certeza ela transformou-se em muito mais que isto. Transformou-se em algo muito mais sério: uma batalha contra você mesmo.

Mas a evolução espiritual sempre foi isto, mesmo que você não a visse desta forma. Elevar-se sempre foi vencer a si mesmo (suas vontades e desejos) para entregar-se completamente em Deus.

Agora, tudo que ensinei como elevação espiritual não é a realização da reforma íntima, mas simplesmente caminho. Isto porque a realização espiritual do ser encarnado é o amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive destes ensinamentos.

É preciso isso amar a Deus acima do prazer de dar o prato de comida, amar a Deus acima da vontade de ir ao centro. Ousar ir além de tudo o que conhece, sem manter padrão algum, pois enquanto houver um padrão, há uma escravidão. Uma escravidão que você nem vê, porque acha que está fazendo porque quer.

A liberdade daquele que realiza a elevação espiritual tem que ser total. Preste atenção nesta frase: “o pobrema é que ele tem menas qualidade”. Achou algum erro nela?

Se achou, desculpe, mas não entendeu nada do que falei até aqui: liberdade total. Você imagina que está apenas criticando um erro de português, mas, na verdade, está sendo escravo da gramática.

Nem adianta dizer que você gosta do português bem escrito, porque não está fazendo porque você gosta. Este seu “gosta” só surgiu porque você é escravo da gramática. Se não fosse, não veria erro, porque isto não existe.

A elevação espiritual é o fim da escravidão a todos os padrões do mundo. É não ter gramática, não ter combinação de cores, não ter obrigação de ter isso, aquilo ou aquilo outro.

Como o apóstolo Paulo nos ensina: Cristo veio nos trazer a verdadeira liberdade. No entanto, só tendo a ousadia que o mestre teve poderá se libertar da escravidão aos padrões do mundo.

Você se lembra dos escravos que existiam nesse planeta? Quando chegavam a uma certa idade eles eram libertados? Não. Eles eram escravos até a morte.

No entanto, alguns conseguiam libertar-se antes da morte. Quem eram estes? Os que ousavam ir contra a escravidão, mesmo com o risco da própria vida, ou seja, da sua própria satisfação.

O ser humanizado é um “escravo do mundo” em que vive e, por isso, precisa ousar ir contra os sistemas estabelecidos, mesmo que isso lhe custe a própria vida (aquilo que desejava materialmente para si).

É melhor você arrancar o seu olho que pode pecar, jogá-lo fora e entrar no reino dos céus sem o olho do que ir para o inferno com o corpo inteiro. Estas foram palavras de Cristo e, portanto, caminho que leva a Deus.

Daí pode se entender que, é melhor você sair da carne, se preciso for, amanhã e ir para o céu do que não ousar e permanecer no inferno, ou seja, esta vida que você vive, por muito mais tempo.

Sei que vocês vieram aqui hoje para uma “confraternização de Natal” mas, será que vocês esperavam que eu fosse cantar “Jingle Bell”, que fosse contar sobre a estrela que brilhou no céu em Belém…

Não posso. Sabe porquê? Porque aquele que quer auxiliar o próximo precisa urgentemente deixar de ser conivente com a humanidade do outro.

Até agora eu estava falando com vocês como espíritos no processo de provação para elevação espiritual. Agora vou falar com a maioria de vocês que está aqui presente e que tem um trabalho espiritual a realizar, que está buscando auxiliar alguém.

É preciso deixar de ser conivente com os outros. Sabe o que é deixar de ser conivente com os outros? É só dar um prato de comida para quem tem fome: isto é ser conivente com a humanidade.

“Mas, velho, estou matando a fome de quem precisa. Isto não é ajudar o próximo?”. Ta certo, você está matando a fome de quem precisa, e imagina que é só isso que precisa ser feito.

Então, vamos chamar Cristo de volta à nossa presença e dizer que ele cumpriu de forma “errada” a missão dele. Dizer para ele que precisa voltar para a Terra e abrir um restaurante para dar comida de graça para os outros: aí estaria servindo-os, não é mesmo?

Não se esqueça que antes de tudo Cristo ensinou: “as Escrituras Sagradas afirmam que o ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que Deus diz”. Portanto, há algo mais a se levar do que simplesmente o alimento material: a palavra de Deus.

O espírito, encarnado ou não, vive da palavra de Deus, mas você, que sabe que acha mais do que o próprio mestre, só dá o prato de comida. A palavra de Deus você não leva.

Aí está a sua conivência que eu falei anteriormente. Você dá a comida para sustentar a humanidade do ser e, por isto, se torna conivente com ela, porque o faz acreditar que o homem vive só do pão. Para se servir a Deus é preciso mais do que levar o pão, mas também a Palavra.

“Meu filho, Deus dá a cada um segundo as suas obras. O que você está passando é resultado de uma obra anterior sua. Pare de mostrar que você é um sofredor, um pobre coitado. Lave essa cara. Viva feliz, mesmo não tendo o que comer”.

Esta é palavra de Deus: o amor ao Pai acima da própria pobreza. Se quiser, pode dar o prato de comida, mas nunca deixe de dar também a Palavra, o ensinamento de que, não importa aquilo porque passeamos, será sempre Deus nos dando a justa medida que precisamos e merecemos.

É isso que estou dizendo para aqueles que estão trabalhando no sentindo de auxiliar o próximo na sua caminhada. É preciso ousar ir além do prato de comida e levar também a Palavra de Deus.
Darei um outro exemplo que é muito comum entre os trabalhadores da seara bendita. Vamos falar dos trabalhos mediúnicos de desobsessão que são realizados nas casas espíritas.

Antes me deixe fazer uma pergunta: Você acredita que um obsessor pode influenciar na vida do outro, ou seja, pode “atrapalhar” a vida do próximo sem que para isto tenha motivos? Pode “prejudicar” um encarnado apenas porque “não gosta” dele?

Achando que sim você acredita que ele é mais forte que Deus. Veja bem, Deus deu o livre-arbítrio a todos os espíritos, mas o obsessor mata este livre-arbítrio sobrepujando a sua vontade à do obsediado conduzindo a vida dele sem que este queira.

Claro que o obsessor não pode fazer o que ele quer livremente. Ele precisa se subordinar às leis universais para que uma “injustiça” não seja cometida, ou seja, só será alvo de uma obsessão aquele que estiver no mesmo padrão vibratório do obsessor.

Sendo assim, o espírito obsessor não está ali porque quer, mas porque o outro aceitou a obsessão, ou seja, uniu-se a ele pela mesma intenção. Por isto o Espírito da Verdade nos ensinou:

“515 – Que se há de pensar dessas pessoas que se ligam a certos indivíduos para levá-los à perdição, ou para guiá-los pelo bom caminho? Efetivamente, certas pessoas exercem sobre outras uma espécie de fascinação que parece irresistível. Quando isso se dá no sentido do mal, são maus Espíritos, de que outros Espíritos também maus se servem para subjugá-las. Deus permite que tal coisa ocorra para vos experimentar” (O Livro dos Espíritos) (o grifo é nosso).

Deste ensinamento podemos entender claramente a realidade: não existe obsessão, mas união de dois espíritos afins. Ela, porém, só ocorre quando Deus permite que tal coisa aconteça e com a finalidade de experimentar os envolvidos.
Portanto, não existe obsessão como a humanidade acredita: um espírito “mal” fazendo coisas “ruins” com um outro, pobrezinho que é “vítima” da situação. Os dois são “culpados” e precisam estar juntos para poderem aprender a amar a Deus sobre todas as coisas.

Agora, o que ocorre hoje nos centros espíritas? O encarnado é levado para uma sala. Lá o obsessor é convidado a permanecer para ouvir um “sermão” enquanto que a “vítima” vai embora sem nada ouvir.

O que acontece? O obsessor pode até ser salvo, mas o encarnado não alterará o seu padrão vibratório. Aí se livra deste obsessor, mas logo Deus coloca outro, pois este ainda não aprendeu a se universalizar. Por isto Cristo ensinou:

“Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando onde descansar. Se não encontra nenhum lugar, ele diz:’vou voltar para a minha casa, de onde sai.’ Então, volta e encontra a casa vazia, limpa e arrumada. Depois sai e vai buscar outros sete espíritos piores ainda e todos vão morar ali. E assim a situação daquela pessoa fica pior do que antes” (Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículo 43 a 46).

Esta desobsessão como hoje praticada, que protege o ser humano partindo do pressuposto de que ele é vítima, só serve para o desencarnado, mas não auxilia o ser humano. É preciso que o encarnado compreenda os motivos pelo qual a obsessão se iniciou para poder se desarrumar a casa para que ela não sirva mais de abrigo para os obsessores.

Mas, para isto é preciso ousar. É preciso ira além da normalidade (o espírito fora da carne é mal e o ser humano vítima deste). Ao invés de só “brigar” com o obsessor é necessário que o doutrinador do centro espírita também converse com o encarnado: “ouça o que este espírito está dizendo de você, porque é isto o que o está prendendo. O culpado dos seus problemas não é o obsessor, mas você que merece ter esse obsessor, porque você é do jeito que ele está falando”.

Isto é não ser conivente com a humanidade do espírito encarnado. Sabe qual o resultado da conivência que os religiosos têm hoje com a humanidade do espírito? Sete vezes mais obsessões.

Sem levar a Palavra ao encarnado, os que se imaginam trabalhadores de Deus estão proliferando o merecimento humano de haver a obsessão. Hoje retiram um obsessor, da próxima vez terão que trabalhar para libertar mais sete.

Por que isto ocorre? Porque foram coniventes com a humanidade do ser, ou seja, não disseram para o obsediado que o “culpado” da obsessão não era o obsessor, mas ele mesmo.

É preciso ousar. Os centros espíritas deviam mostrar ao obsediado que o obsessor está ali por causa dele. O obsessor não é “mal” nem está “errado”: ele está aqui por o obsediado lhe deu motivos para tanto.

Na verdade, nem um nem o outro está fazendo “obsessão” entre si. O que ocorre, na realidade são duas auto-obsessões: os dois se obsediam e acham que um está obsediando o outro.

A obsessão é uma das engrenagens do carma. O obsessor está ali para ver se aprende o que acontece quando se prende apenas no que ele gosta e o obsediado está com o obsessor para ver se ele aprende que a evolução espiritual só depende dele.

É como num casamento. Existe obsessão maior para um espírito do que os vínculos familiares como hoje é praticado no planeta? Casamento, filho, sogra, tudo é obsessão, porque são relações baseadas em obrigações impostas. Qualquer casamento onde os cônjuges tenham obrigações a cumprir (satisfazer a vontade do outro) é obsessão.

“Eu bebo porque o obsessor me faz beber”: isto é ilusão. Na verdade, este ser humano tem um obsessor que participa desta ação com ele porque a sua vontade é beber.

“Meu guia mandou eu fazer uma ‘macumba’, pois preciso dar uma cerveja para a entidade para receber o que quero”. Isso também é obsessão, porque “macumba” (oferecimento de coisas materiais a espíritos desencarnados) não resolve vida de ninguém.

Se você não tiver o merecimento para receber aquilo que deseja, pode fazer quantos “despachos” quiser na “encruzilhada” que não resolverá a sua vida. O que vai resolver a sua vida é a reforma íntima e não a “macumba”.

“Vou acabar com aquele outro, vou costurar seu nome na boca do sapo”. De nada adianta isso, porque Deus dá a cada um segundo as suas obras e não porque você não gosta dele.

“551. Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo? Não; Deus não o permitiria” (O Livro dos Espíritos).

Ninguém pode se libertar de uma determinada pessoa se isto não estiver previsto para a sua encarnação. Todos são instrumentos para a ação carmatica do próximo e por isto, se alguém lhe incomoda, o que é pode lhe afastar daquela relação é aprender a amar a Deus e a todos, ou seja, promover a reforma íntima.

Portanto, a única coisa que pode resolver para você, ou seja, que pode lhe levar a viver uma vida com paz, felicidade e harmonia é a elevação espiritual que é alcançada com a reforma íntima.

Por que abordei este ponto hoje? Porque a promessa de um “futuro feliz” sem o trabalho da modificação interna de cada um é um ato de conivência que muitos que se dizem missionários do Senhor praticam.

E sabe porque as Igrejas, os templos e os centros são coniventes? Porque procuram fiéis, seguidores, “casa cheia”. Eles precisam agradar o lado humano dos espíritos.

Se você for a um centro porque sente que está obsediado e lá eles lhe disserem que você precisa mudar-se, que você precisa reformar-se ao invés de simplesmente prometerem o céu sem esforço algum, lá você não volta mais. Diz que aquele centro não presta, porque é “muito fraquinho” e vai buscar outro.

Ninguém quer ousar ver a sua própria culpa. Ninguém quer ousar chamar para si a responsabilidade sobre a sua vida. Apesar disto, aqueles que se colocam à disposição de Deus como lamparinas devem ousar levar a palavra de Deus, ao invés de simplesmente tentarem satisfazer os desejos humanos dos espíritos encarnados.

Para aqueles que trabalham em centros espíritas, o trabalho de desobsessão deve abranger a responsabilidade do encarnado neste processo; para os que lidam com a umbanda, o fim das promessas de bem estar material gratuitos (“faça isto que eu lhe dou aquilo”), deve ser abolido.

Afinal, não existe ninguém superior a Deus e Ele dá a cada um segundo a sua obra. É Ele que dá ao espírito tudo o que precisa, mas para a execução de suas provas e não para a prosperidade material.

“533. Podem os Espíritos fazer que obtenham riquezas os que lhes pedem que assim aconteça? Algumas vezes, como prova. Quase sempre, porém, recusam, como se recusa à criança a satisfação de um pedido inconsiderado”.

“532. Têm os Espíritos o poder de afastar de certas pessoas os males e de favorecê-los com a prosperidade? De todo não; porquanto há males que estão nos decretos da Previdência. Amenizam-vos, porém, as dores, dando-vos paciência e resignação. Ficai igualmente sabendo que de vós depende muitas vezes poupar-vos aos males, ou, quando menos, atenuá-los. A inteligência, Deus vo-la outorgou para que dela vos sirvais e é principalmente por meio da vossa inteligência que os Espíritos vos auxiliam, sugerindo-vos idéias propícias ao vosso bem. Mas, não assistem senão os que sabem assistir-se a si mesmo. Esse é o sentido destas palavras: buscai e achareis; batei e se vos abrirá. Sabei ainda que nem sempre é um mal o que vos parece sê-lo. Freqüentemente, do que considerais um mal sairá um bem muito maior. Quase nunca compreendeis isso, porque só atentais no momento presente ou na vossa própria pessoa” (Citações retiradas de O Livro dos Espíritos).

Aí está a palavra de Deus que deve ser levada àqueles que batem às portas das casas de oração à procura da satisfação de seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar agradar a Deus e não aos seres humanos.

Sabe por que? Porque a responsabilidade sobre a vida é somente do espírito encarnado e de mais ninguém. Nenhuma outra pessoa é responsável pelo que acontece na vida de um espírito encarnado. Só ele mesmo.

Quando o trabalhador de Deus joga a culpa em qualquer outro pela situação que o fiel está passando, está sendo conivente a com a sua materialidade e, por isto, não está servindo a Deus. é preciso realmente ousar em tudo.

Estamos chegando ao fim de nossa conversa, mas antes eu gostaria ainda de tocar em mais um assunto. Apesar de muitos conhecerem os ensinamentos aqui citados, por que eles ainda continuam escravos dos padrões mundanos?

Por exemplo: por que você acha que tem que pagar a quem deve? Porque sente responsabilidade com a vida material, com a comunidade em que vive.

Só que quando você assume as responsabilidades com a vida material esquece um só detalhe: a responsabilidade que assumiu com Deus antes da encarnação.

Antes de encarnar você diz: “Senhor eu quero esta chance porque me acho capaz de buscar a elevação espiritual”. Aí, troca esta responsabilidade pela responsabilidade material. Submete a sua existência às responsabilidades materiais, mas se esquece do compromisso assumido anteriormente com Deus.

“Ah, eu tenho que pagar minhas dívidas”. Quem disse? Contrair dívida é uma ação carmatica para você e para quem está devendo. Quem passa por um processo de falência é porque escolheu, antes da encarnação, este gênero de prova para promover a sua reforma íntima e elevar-se.

Para que ele pudesse viver a sua prova é preciso um agente carmatico, ou seja, alguém que construa uma realidade que espelhe o gênero da prova escolhida. Portanto, ninguém deve a este homem, mas se transforma em instrumento de Deus para elevar àquele espírito a prova que ele mesmo solicitou.

Agora não esqueça: se isto é verdade é para os dois. Se alguém lhe deve o mesmo pensamento deve ser aplicado. Neste momento você deve ousar não cobrá-lo e viver o ensinamento dos mestres.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘olho por olho, dente por dente’. Eu, porém lhes digo: Não se vinguem dos que lhe fazem mal. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se processarem você para tomar a sua túnica, deixe que levem também a capa. Se um dos soldados estrangeiros forçá-los a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e empreste a que, lhe pedir emprestado” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 38 a 42).

Este é o motivo pelo qual você tem que ousar: para honrar o compromisso firmado com Deus antes da encarnação e que você simplesmente joga na lata de lixo em troca do seu compromisso com a sociedade onde vive.

“Ah eu não posso falar o que você falou sobre o natal porque senão meu filho vai brigar comigo”. Você deixa de honrar o seu compromisso com Deus para honrar o com o seu filho e acha isto muito certo porque imagina que precisa disto para assegurar a felicidade dele.

Sei que você se sente obrigado a dar um presente para o seu filho no natal porque todos os seus amiguinhos receberão e ele se sentirá diferente dos demais. Mas honrar este compromisso com a sociedade sai muito caro para existência espiritual do seu filho.

Agindo assim você criará nele o hábito dele receber presentes para ser feliz, ou seja, o ensinará a condicionar a felicidade. Esquece-se, apenas, que quando um espírito condiciona a sua felicidade ao recebimento de algo rompe com Deus e desonra o seu compromisso espiritual: alcançar o amor incondicional, a felicidade incondicional.

Quem se sente obrigado a dar o presente ao filho não o está ajudando na elevação espiritual porque está criando nele a obrigação de um dia dar presente para o filho ao invés de aproveitar o portal do natal.

Agindo dentro desta cascata a humanidade permanece a mesma, o mundo continua o mesmo: Deus continuará preso no céu esquecido da humanidade. Será o que é hoje: uma coisa que você só se preocupa depois de morrer.
Só que depois da morte, não dá mais para alcançar a elevação espiritual e o compromisso assumido antes da encarnação foi desonrado.

Alem disto, Cristo já disse não se serve dois senhores ao mesmo tempo. Não adianta você contemporizar (“vou ficar bem com meu filho e com Deus ao mesmo tempo”): isto é impossível; ou você agrada a um ou agrada o outro.

Se eu pudesse pedir a Deus um presente para vocês neste natal, seria que Ele ajudasse cada um a ousar nesta vida, porque sem isto não se chega a Deus. Sem isto ficamos presos na mesma coisa a vida inteira, fingindo que está tudo bem.
Só que quando sai desta vida não dá mais para fingir. E aí eu lembro das palavras de Sariputta, um monge que servia ao Buda.

“Amigos, se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais inábeis tivesse uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero, sem febre – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar um boa destinação, então o Abençoado não ia advogar o abandono de qualidades mentais inábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais inábeis tem uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado e febril – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma destinação ruim, é por isso que o Abençoado advoga o abandono de qualidades mentais inábeis”.

“Se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais hábeis tivesse uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado, febril – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar uma destinação ruim, então o Abençoado não iria advogar permanecer com qualidades mentais hábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais hábeis tem uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero e sem febre – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma boa destinação, é por isso que o Abençoado advoga permanecer com qualidades mentais hábeis” (Sutta Devadha – SN XXII.2).

Ao falarmos o que estamos comentando neste ciclo de palestras não queremos simplesmente ser diferente ou mostrar o quanto somos “grandes (no sentido de culto) espiritualmente falando, mas, pela experiência, temos certeza de quem ousar e vencer o próprio mundo conseguirá uma vida plena de felicidade e alegria e além disto terá uma boa colocação quando sair da carne.

Sabemos, ainda, que quem não ousar, ou seja, não colocar estes ensinamentos em prática, não tem uma “vida” plena de felicidade, mas presa a vicissitudes (à momentos de prazer e de dor) e quando sai da “vida” não tem uma existência numa boa colocação.

Outro dia me disseram que eu estava certo ao alertar para a necessidade de transformar a vida num trabalho exclusivo de reforma íntima. A pessoa foi mais além: por isto Deus criou a reencarnação, ou seja, como uma oportunidade de elevação espiritual.

O problema é que os espíritos encarnados acreditam que a elevação acontecerá apenas com o reencarnar, como se o simples fato de vir à carne fosse o suficiente para se elevarem. Isto é mentira.

O espírito só se eleva quando de posse da consciência material (encarnação), mas se nela realizar a reforma íntima. Não basta apenas encarnar: é preciso conquistar a mudança interior.

Aqueles que conhecem o processo de elevação espiritual, mas estão presos àquela idéia, não fazem nada durante a vida, não ousam nada contra os padrões humanos. Acreditam que simplesmente por mágica (nascer e morrer) se elevarão. Por isto estão encarnadoshá pelo menos sete mil anos e nada conseguem.

Deixe-me falar uma coisa. Os espíritas acreditam que foi o Espírito da Verdade que ensinou a reencarnação, mas ela é conhecida no oriente desde a antiguidade. Os chineses e os japoneses, principalmente, vivem dentro desta realidade a milênios com uma crença fervorosa na reencarnação.

No entanto, eles também caíram na ociosidade. Pela certeza que tinham de nova existência carnal, trocavam a vida por qualquer compromisso material. Veja o exemplo do haraquiri e dos kamikazes na segunda guerra mundial.

O que aconteceu? Deus deu a um o comunismo e ao outro duas bombas atômicas para que pudessem acordar e dar valor à vida material. Não pela materialidade em si, mas como uma oportunidade de elevação espiritual.

Se persistirem na ociosidade, o que será que Deus terá que dar aos espíritas para que eles aproveitem esta encarnação ao invés de trocar a oportunidade de elevação pelas responsabilidades materiais alegando a existência de novas oportunidades?

É preciso ousar reformar-se: não basta apenas reencarnar.

Foi pela ousadia que todos os mestres demonstraram a elevação espiritual. Estudem a vida de todos aqueles que alcançaram a “santidade”, o “despertar”. Eles ousaram ir além da vida carnal, além das responsabilidades materiais para servirem a Deus, amando-O acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Para aqueles que ousarem rebelarem contra o sistema, contra os padrões no mundo, uma nova época está por vir.

“Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar sumiu. E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e pronta, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. Ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:”

“Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais mortes, nem tristeza, nem choro nem dor. As coisas velhas já passaram”.

“Aquele que estava sentado no trono disse: agora faço nova todas as coisas!”.
“E também disse: escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança”.

“E continuou: tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da vida. Quem conseguir a vitória receberá isto de mim: eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. Mas os covardes, os traidores, os viciados, os assassinos, os imorais, os que praticam a feitiçaria, os que adoram ídolos e todos os mentirosos, o lugar deles é o lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte”

Estes textos foram retirados do livro Apocalipse, capítulo 21, versículo 01 a 08.
A Nova Jerusalém ou a vida no Mundo de Regeneração só será vivida por aqueles que ousarem ir além dos padrões humanos e trouxerem o trono de Deus para as suas vidas. Afinal, Paulo já nos ensinou: “o ser humano é inimigo de Deus”.

É por isto que o Espiritualismo Ecumênico Universal em sua “Carta à Humanidade – Proclamação da Conversão” declarou:

“O inimigo, aquele contra quem nós devemos “guerrear”, ficou definido através dos ensinamentos: o próprio “ser humano”. Agora é a hora do exército de Nossa Senhora partir para a conversão dos “seres humanos”, transformando-os em espíritos.

Com esta conversão será alcançada a terceira profecia passada por Nossa Senhora em Fátima: O FIM DA RAÇA HUMANA. O novo tempo será marcado pelo fim da raça dominadora do planeta (ser humano) e marcará o início da raça ESPÍRITO NA CARNE, subserviente a Deus.

Para a “guerra” da conversão os soldados podem contar com toda ajuda da espiritualidade, que por ordens divinas trará acontecimentos que questionarão o “poder” imaginário que os seres humanos acham que têm sobre as coisas e seres do planeta, materiais ou espirituais.

Que todos os combatentes espelhem-se na vida de Jesus na carne para viver a sua, pois Ele foi o único espírito a colocar o AMOR em ação”.

Somente a ousadia de libertar-se de sua humanidade pode conduzir o espírito a viver o novo mundo que surgirá no planeta. Ou como Cristo ensinou:

“felizes os que lavam as suas roupas para terem o direito de comer a fruta da árvore da vida e para poderem entrar pelos portões da cidade. Mas, fora da cidade estão os viciados e os feiticeiros, os imorais e os assassinos, os que adoram ídolos e os mentirosos em palavras e atos” (Apocalipse, capítulo 22, versículos 14 e 15.

Com as graças de Deus.

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FONTE: EEU - Espiritualismo Ecumênico Universal: www.meeu.com.br 

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