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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

CIGANA ROSA DO BARALHO DE OURO:


Hoje contarei a vocês a incrível historia de umas das entidades espirituais da Umbanda na linha de ciganos. Esta entidade se chama Cigana Rosa do baralho de ouro, a qual uma vez contou-me sua história de quando vivia no plano terreno. Vamos lá!

A Cigana Rosa do Baralho de Ouro

Certa vez em um povoado situado perto do litoral do Brasil, havia uma linda moça cigana de belos cabelos escuros e ondulados que havia por ali nascido e criada junto de seu povo. Rosa era uma menina encantadora e de uma beleza incomparável, era amada por todos e trazia consigo um grande dom da vidência e da cura!! Não eram poucas as pessoas que muitas vezes recorriam a jovem cigana para curar suas enfermidades tanto da alma quanto do coração.

Rosa era amante da natureza, gostava de admirar suas belezas e principalmente a Lua. Ao completar 15 anos, a cigana mais velha da aldeia a chamou e lhe entregou uma estranha caixa a qual disse que Rosa só poderia abrir quando necessitasse de ajuda. Certa vez Rosa caminhava pela praia e viu várias moças de seu povoado que namoravam alegremente sobre a areia, Rosa como gostava muito da sua própria liberdade não se imaginava presa a um homem ou em único lugar. Porém ela sabia que pelo costume do seu povo, como já estava com 15 anos deveria logo casar, e este dia era o que ela mais temia….

Em um dia o cigano chefe da aldeia comunicou os pais de Rosa que havia um moço que deveria ser o seu futuro marido. Os pais embora temerosos por saber a aversão da filha sobre casamentos concordaram e aceitaram, pois não haveria muito que se fazer. Então certa tarde a mãe da jovem cigana saiu a sua procura, Rosa estava sentada embaixo de uma árvore pensando sobre o que seria o presente da velha cigana. Ao perceber que sua mãe se aproximava a cigana correu para abraçá-la, mal sabendo ela que a mãe não traria boas notícias. Em breves palavras a mãe de Rosa lhe contou do ocorrido, fazendo com que Rosa caísse em prantos. Sua mãe penalizada a confortou dizendo que esse era o destino de todas as mulheres daquela aldeia e que ela deveria aceitar para não sofrer as consequências.

Porém Rosa que mantinha dentro de si a alma livre jamais aceitaria isso, ela via que não eram poucas as ciganas que casavam e perdiam a sua graça e beleza e liberdade e que muitas também eram agredidas pelos próprios que juravam amor eterno e proteção. Sendo assim Rosa sabia que um casamento seria o fim de sua felicidade, mas que também não haveria o que se fazer para livrar-se desse tormento. Foi então que lembrou quase que em uma visão da velha cigana que já havia falecido e de seu presente, na sua mente veio às palavras “use-a apenas quando estiver necessitando de ajuda”. Então Rosa correu para sua tenda e pegou a caixa que parecia estranhamente brilhar, ao abrir Rosa se deparou com um incrível baralho de ouro e com inúmeras lembranças de muitas ciganas que utilizaram daquele baralho.

Rosa pegou o baralho e saiu em busca de um local tranquilo na praia, ao sentar rezou aos Deuses que lhe dessem orientação necessária naquele momento de solidão. Ao abrir o baralho Rosa entendeu que sua liberdade dependia apenas dela, foi como se o baralho falasse com ela lhe mostrando os caminhos, logo Rosa entendeu o porquê de tão poderoso que era o presente dado pela antiga cigana. Passado alguns dias na aldeia não se falava em outra coisa a não ser o casamento da cigana Rosa. O jovem cigano tentou inúmeras vezes se aproximar de Rosa, mas ela sempre o tratava com formalidade, apenas para ninguém desconfiar de seu plano.

O casamento estava marcado para próxima Lua nova, na qual segundo os ciganos é a Lua das renovações. Conforme as tradições ciganas, a festa iniciaria uma semana antes e acabariam dois dias depois. Sendo assim, faltando apenas três dias para o casório foi a anunciada a famosa dança do hino cigano, no qual Rosa deveria dançar, e isso ela sabia como nenhuma outra, então Rosa se entregou a dança como se fosse sua última (e no fundo ela sabia que era) de sua vida. À medida que ela dançava mais ela sentia que deveria ser livre de tudo que lhe fazia mal e decidiu então partir naquela mesma noite. Com a desculpa de que iria descansar a cigana saiu para sua tenda e lá pegou seu baralho para uma última consulta. Foi então que ela teve a visão de uma imensa praia e uma linda mulher, que no primeiro momento ela não soube desvendar o que era sendo assim enrolou o baralho na sua saia e saiu, mas com a impressão de que logo saberia quem era aquela mulher.

Rosa esperou que todos estivessem em suas tendas para que pudesse sair, olhou para o céu e pediu para a lua que a guiasse naquela jornada e saiu, porém em um descuido a moça sem querer derrubou uma bacia com algumas frutas, despertando então o anfitrião da aldeia que saiu logo em seguida e avistou Rosa já quase sumindo entre as árvores do povoado. Ele que já sabia que Rosa não aceitaria casar, sabia que ela tentaria algo do tipo fazendo o lembrar de uma antiga paixão de seu passado. O cigano então despertou os demais e para o desespero dos pais de Rosa que temiam pelo pior. Saíram em busca da cigana que perante as leia da aldeia, cometeu um dos mais graves crimes, e deveria pagar com sua vida.

Ao ver que havia sido descoberta, Rosa desatou a correr mais e mais, porém parecia que nada os impediria de alcança-la naquela fuga desesperada. Ao entrar em lugar escuro e úmido a cigana tropeçou e caiu, vendo então uma linda, porém estranha mulher vestida de preto e com o rosto meio coberto a sua frente. A mulher lhe disse ser uma das sete Marias e disse a Rosa que se ela não quisesse acabar como ela que seguisse em frente e não parasse em momento algum. A jovem cigana começou a chorar, pois não queria para sua vida o destino daquela mulher e correu o mais rápido que pode. O sol estava quase nascendo quando Rosa avistou a praia e correu o quanto pode, porém já estava quase sem forças e ao olhar para trás viu que os homens a estavam quase a alcançando.

Rosa então quase entregue as suas forças olhou para os céus e orou com toda sua força em uma oração triste, mas sincera aos Deuses para que lhe tirassem daquele lugar e daquela vida. Ajoelhada na beira da praia Rosa viu um grande brilho saindo do fundo mar e nele uma mulher muito bonita em um vestido azul caminhando sobre as águas e em sua direção. Foi então que Rosa viu que era a mesma mulher que viu em sua última visão com o baralho de ouro e se sentiu agradecida, mesmo sem saber quem ou o que ela era. A mulher disse que se chamava Yemanjá, e que havia ouvido as suas preces e estava ali para salvá-la daquele tormento sem fim, a mulher disse que para que ela não voltasse para aldeia devera seguir ela para fundo do mar e ela seria livre para sempre.

Sem questionar Rosa abraçou a bela mulher, sentindo dela um perfume de rosas brancas e uma imensa paz perto dela. Então a última lembrança de Rosa foi de uma imensa onda sobre as duas e em seguida uma sensação de liberdade que ela nunca havia sentido antes quando viva. Os ciganos apenas entenderam que Rosa se suicidou sobre as ondas, porém mal sabiam eles que ela estava apenas começando a sua jornada na nova vida espiritual.
FONTE: FACEBOOK